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(2013) O juiz Mario Carroza participa de uma entrevista coletiva em Santiago

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A justiça chilena ordenou nesta segunda-feira a prisão de cinco ex-militares pelo assassinato de um fotógrafo e por ferimentos em uma estudante depois de atear fogo a eles após serem presos por participar de um protesto contra Augusto Pinochet em 1986, informou o Poder Judiciário.

A ordem de prisão, que envolve ex-oficiais e suboficiais do exército chileno, foi emitida pelo juiz Mario Carroza.

Tão logo emitida, quatro militares foram detidos e interrogados pelo juiz.

Os novos militares presos se somam a outros sete que foram detidos e acusados na semana passada, em um caso que até o momento estava impune.

Na sexta-feira, os sete militares foram acusados como autores e cúmplices do homicídio do fotógrafo Rodrigo Rojas de Negri, que morreu em 1986 depois de ser queimado vivo por uma patrulha militar.

Os acusados como autores são os oficiais reformados Julio Castañer, apontado como o que ateou fogo ao jovem, e Iván Figueroa, além dos suboficiais também reformados Luis Zúñiga, Francisco Vásquez, Nélson Medina e Jorge Astengo. Já Sergio Hernández foi acusado como cúmplice.

A decisão foi tomada quase três décadas depois do que é considerado um dos crimes mais horripilantes da ditadura de Augusto Pinochet, que deixou mais de 3.000 vítimas, entre mortos e desaparecidos.

O fotógrafo Rodrigo Rojas de Negri, de 19 anos, e a estudante de Engenharia Carmen Gloria Quintana, também de 19, participavam de uma manifestação contra o regime de Pinochet, em 2 de julho de 1986, quando foram pegos por uma patrulha militar.

Depois de detidos, os agentes encharcaram os dois com gasolina e atearam fogo. A dupla foi abandonada, gravemente ferida, no subúrbio de Santiago. A jovem teve queimaduras graves, em 62% do corpo, mas sobreviveu. Ela recebeu tratamento no Canadá, onde vive hoje.

Rodrigo Rojas havia acabado de voltar para o Chile, depois de viver nos Estados Unidos com sua mãe, exilada pela ditadura. O rapaz faleceu depois de quatro dias de agonia.

Os seis militares acusados foram detidos na quarta-feira por ordem do juiz Mario Carroza, depois que o sétimo militar rompeu o "pacto de silêncio" e confessou a verdade sobre o que aconteceu há 29 anos.

"O exército tem muita informação que não entregou e tem uma dívida para com o Estado. Esse é o momento de assumir sua responsabiliade como institução", afirmou Carmen Gloria Quintana, entrevistada pela emissora Chilevisión.

"Quero justiça, nada mais, nada menos que justiça. Condenar as pessoas que foram os autores materais e os intelectuais", acrescentou.,

A presisente Michelle Bachelet, torturada pela ditadura e cujo o pais morreu em 1974 vítima de agentes do regime Pinochet, se juntou a esse pedido.

"Há pessoas que sabem a verdade de muitos casos que permanecem sem solução e o Chile pede que sigam o exemplo de Fernando Guzmán e que ajudem a reparar tanta dor", afirmou Bachelet em um comício.

"Assim como em setembro de 2014 disse que era necessário que quem tivesse informação sobre as violações dos direitos humanos, civis ou militares a entregasse antes que fosse tarde demais, hoje quero reiterar esse pedido poirque basta de silêncio", enfatizou a presidente.

O caso ficou conhecido internacionalmente, devido à crueldade dos militares, e os dois jovens se transformaram em um símbolo dos direitos humanos e da luta contra a ditadura.

A Justiça encerrou o caso nos anos 1990 com apenas um militar condenado por negligência, o oficial Pedro Fernández, chefe da patrulha, em 1993, corroborando a versão de que os dois se queimaram, após a explosão de uma bomba incendiária de fabricação artesanal. Fernández foi condenado a 600 dias de prisão pela morte do fotógrafo.

Em 2000, um tribunal impôs ao militar uma indenização de 500 mil dólares em favor de Carmen Quintana.

Um dos advogados dos querelantes no caso, Héctor Salazar, disse que, agora, o objetivo é apontar as responsabilidades do alto comando do Exército por suas manobras para "abafar" a história e por contribuir para a impunidade.

AFP