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(27 jun) Os réus foram considerados culpados após um julgamento incapaz de apontar o responsável pelo homicídio cometido em 2015

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Os cinco chechenos acusados do assassinato do líder opositor e ex-vice-premiê russo Boris Nemtsov foram declarados culpados pela Justiça russa nesta quinta-feira (29).

Os réus foram considerados culpados após um julgamento incapaz de apontar o responsável pelo homicídio cometido em 2015. Os 12 jurados levaram três dias para chegar a um acordo sobre a sentença. As condenações serão decididas e divulgadas pelo tribunal nos próximos dias.

Acusados de terem organizado e executado a morte de Nemtsov, os cinco "não merecem perdão", diz o veredicto.

Esse incansável crítico do presidente Vladimir Putin foi assassinado com cinco tiros nas costas, em uma ponte a poucos metros do Kremlin, quando caminhava com a namorada na noite de 27 de fevereiro de 2015.

O assassinato abalou o país e é considerado o pior crime político cometido desde que Putin chegou ao poder há 17 anos.

O advogado da família Nemtsov classificou a investigação sobre o homicídio como um "fiasco total", diante da ausência daquele que teria sido o principal responsável pelo crime.

"Não podemos dizer que estamos satisfeitos com o veredicto. Não há nem o organizador, nem o patrocinador", declarou o advogado Vadim Prokhorov à imprensa nesta quinta.

"Os investigadores e o tribunal persistiram literalmente em se recusar a reconhecer este assassinato como político (...) e evidentemente não buscaram estabelecer a verdade", afirmou a filha do opositor, Janna Nemtsova, em uma mensagem no Facebook, na qual chamou o processo de "paródia" da Justiça.

A família de Boris Nemtsov responsabiliza o entorno do autoritário líder checheno Ramzan Kadyrov, incluindo o próprio Kadyrov, por seu assassinato. No início de dezembro, a Justiça russa se recusou, porém, a convocar o presidente checheno na qualidade de testemunha.

Oriundos de repúblicas muçulmanas da Chechênia e da Inguchétia, Zaur Dadaiev, Chadid e Anzor Goubachev, Temirlan Eskerkhanov e Khamzat Bakhaiev enfrentam a Justiça desde outubro de 2016 para responder pelo assassinato de Nemtsov.

Segundo o Comitê de Investigação, órgão responsável pelas principais investigações criminais, os réus teriam recebido em setembro de 2014 uma recompensa de 15 milhões de rublos, mais de 220.000 euros, para cometer o crime.

Dadayev, ex-oficial do Ministério checheno do Interior, foi considerado culpado de atirar. Já os irmãos Gubashev, Eskerkhanov e Bakhayev foram apontados como os organizadores do ataque. Eles negam as acusações.

Ruslan Mukhudinov, também checheno, foi identificado em dezembro de 2015 como o possível mentor do crime e segue foragido. De acordo com a imprensa russa, ele serviu no batalhão "Sever" das forças especiais chechenas, composta por soldados leais a Ramzan Kadyrov.

A morte de Boris Nemtsov, uma das figuras mais carismáticas da oposição russa, chocou todo o mundo.

Depois de ser governador de Nizhny-Novgorod, a terceira maior cidade da Rússia 400 quilômetros a leste de Moscou, sob a presidência de Boris Yeltsin, foi nomeado para o governo em 1997, incorporando a geração dos jovens ministros reformistas da Rússia pós-soviética.

De março de 1997 a agosto de 1998, ocupou o cargo de vice-primeiro-ministro responsável pelo setor da energia e monopólios, o que lhe rendeu - uma vez na oposição após a chegada de Putin ao poder em 2000 - acusações de ligações com os oligarcas que se beneficiaram da onda de privatizações da década de 1990.

Durante os protestos de 2011-2012, impôs-se como um dos líderes da oposição liberal russa, ao lado do ativista anticorrupção Alexei Navalny, que cumpre pena de 25 dias de prisão por organizar uma manifestação não autorizada.

Copresidente do partido de oposição RPR-Parnas, Boris Netmsov foi eleito em 2013 membro do parlamento de Yaroslavl, uma pequena cidade a quatro horas de carro de Moscou.

Uma semana depois de sua morte, milhares de pessoas marcharam nas ruas da capital russa para prestar homenagem a ele e exigir justiça das autoridades.

AFP