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Keiko Fujimori no banco dos réus por pedido de prisão preventiva

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Este conteúdo foi publicado em 24. outubro 2018 - 16:47
(AFP)

A líder opositora peruana, Keiko Fujimori, se sentou nesta quarta-feira (24) no banco dos réus para que um juiz decida se a envia à prisão preventiva por 36 meses por receber supostas contribuições ilegais para a sua campanha, enquanto tenta evitar a queda do seu outrora poderoso partido.

A filha mais velha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) se apresentou diante do juiz Richard Concepción Carhuancho por conta de um pedido de prisão preventiva da Procuradoria, uma semana após ter sido libertada por um tribunal de apelações depois de ficar sete dias detida pelo mesmo caso.

Este pedido de prisão preventiva por 36 meses, prazo máximo contemplado por lei, ameaça a aspiração de Keiko, de 43 anos, de ser candidata à presidência em 2021, pela terceira vez.

A audiência começou com a leitura da acusação do procurador José Domingo Pérez, que afirmou que dentro do partido de Keiko "havia uma organização" identificada pelas autoridades "por meio de uma testemunha protegida", que se encarregou de receber e acobertar as contribuições ilegais de campanha em 2011.

Durante a audiência, do lado de fora do tribunal, havia manifestações de ativistas a favor e contra Keiko, cujo partido foi o mais votado no Peru nas eleições de 2011 e 2016, e que domina o Congresso.

O procurador Pérez, que foi interrompido várias vezes pela advogada de Keiko, Guiliana Loza, pediu três anos de prisão preventiva para 12 dirigentes e funcionários fujimoristas, os quais acusa de terem criado uma "organização criminosa" dentro do partido, que manejou 1,2 milhão de dólares doados pela empreiteira Odebrecht à campanha de Keiko, o que ela nega.

O juiz anunciou um recesso da audiência no início da tarde, após cinco horas de alegações do procurador.

A sessão deve ser retomada ao anoitecer (horário local), mas deve ser suspensa antes de meia-noite e retomada na quinta-feira.

Keiko Fujimori deixou o tribunal, mas antes negou o relato acusatório do procurador.

"Hoje ouvimos uma série de mentiras ditas por este procurador", declarou Keiko a jornalistas em sua saída da Sala Criminal Nacional.

Durante a sua alegação, o procurador ressaltou que a tesoureira do Força Popular, Antonieta Gutiérrez, lhe assegurou que "Keiko Fujimori é quem toma todas as decisões no partido".

O pedido de prisão preventiva deve ser decidido pelo juiz Concepción Carhuancho, a quem Keiko acusa de agir em conjunto com o procurador Pérez.

- Crise no partido -

Keiko, que assistiu à audiência acompanhada de seu marido, Mark Vito, e sua irmã Sachi, adotou nas últimas horas um surpreendente tom conciliador, pedindo a "paz e o reencontro" com o governo peruano, depois de manter uma marca beligerante desde a campanha eleitoral de 2016, que perdeu para Pedro Pablo Kuczynski.

"Terminemos juntos essa guerra política reconhecendo que todos fomos parte dela", declarou Keiko, que não deu trégua a Kuczynski até forçá-lo a renunciar à presidência em março deste ano.

O partido de Keiko, Força Popular (direita populista), se afundou esta semana em uma crise interna.

O agrupamento iniciou uma "reestruturação" enquanto se espalha uma sensação de debandada entre os seus legisladores, após a renúncia dos membros de sua cúpula.

Apesar disso, Keiko descartou deixar a presidência do partido. "As diferentes instâncias expressaram o respaldo a mim", assinalou na terça-feira à noite.

O desgaste causado por seus problemas judiciais e pelas disputas familiares, assim como por liderar durante dois anos uma oposição obstrucionista, teve impacto nas eleições regionais e municipais de 7 de outubro, nas quais o fujimorismo não venceu nenhuma das 25 governações e nenhum das prefeituras importantes.

O partido obteve menos de 3% dos votos, enquanto nas eleições presidenciais de 2016 Keiko havia alcançado 40%.

A frustração por ter perdido uma segunda eleição presidencial (a primeira foi em 2011, contra Ollanta Humala) induziu Keiko a enviar sua maioria parlamentar para um confronto contra Kuczynski, até que o presidente jogou a toalha.

Também tentou dominar o atual presidente, Martín Vizcarra, mas ele reagiu fortemente aos embates do Congresso, o que acabou derrubando a popularidade de Keiko, que também trava uma guerra fratricida com seu irmão mais novo, Kenji, de 38 anos, pelo legado político de seu pai.

O ex-presidente, de 80 anos, está internado em uma clínica de Lima na qualidade de detido desde que, há três semanas, a Justiça peruana anulou o indultou que Kuczynski lhe havia concedido em dezembro, enquanto cumpria uma condenação de 25 anos por crimes contra humanidade e corrupção.

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