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O secretário de Estado americano, John Kerry, é visto em Pequim, em 10 de julho de 2014

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O secretário de Estado americano, John Kerry, aterrissou de surpresa nesta sexta-feira no Afeganistão para tentar reduzir a tensão decorrente das acusações de fraude na eleição presidencial.

Kerry chegou a Cabul por volta das 4h (17h10 de Brasília), procedente de Pequim, para se reunir com autoridades afegãs, incluindo os candidatos Abdullah Abdullah e Ashraf Ghani.

De Pequim, algumas horas antes, Kerry disse esperar o país encontre, "nos próximos dias" a forma de "tomar as rédeas de seu futuro" nesse "momento crítico" de sua história.

O secretário se referia à divergência entre Abdullah e Ghani sobre os resultados do segundo turno das eleições. O impasse pode levar a um aumento da tensão interconfessional e a uma espiral de violência, a poucos meses da retirada da Otan do país.

Abdula Abdula acusa Ashraf Ghani de ter-se beneficiado da fraude eleitoral "em escala industrial" no segundo turno de 14 de junho passado.

Abdullah se proclamou vencedor da eleição um dia depois da divulgação dos primeiros resultados oficiais que colocam Ashraf Ghani na liderança (56,4%). Desde então, as duas equipes não tiveram qualquer contato direto, relatou uma fonte ligada a um dos candidatos.

Em um comunicado, o chefe da assessoria de imprensa do Departamento de Estado americano, Jeff Rathke, explicou que Kerry se "reunirá com autoridades afegãs, incluindo os candidatos à presidência Abdullah Abdullah e Ashraf Ghani, e com o presidente Hamid Karzai".

Kerry "abordará a transição política em curso, insistindo na mensagem do presidente (Barack Obama), segundo o qual nós esperamos um exame completo de todas as acusações razoáveis de fraude e que não aceitaremos qualquer medida anticonstitucional", acrescentou Rathke.

Washington quer se manter neutro em relação aos candidatos, mas deseja, esclarece a nota, "um processo crível, transparente e aberto que afirme o compromisso dos afegãos com a democracia".

Abdullah reivindica um exame das suspeitas de fraude maior do que o previsto pela comissão eleitoral. Embora tenha evitado agravar a situação, ao não convocar protestos da população, ou formar um governo paralelo, ele repetiu que não aceitará a derrota anunciada.

AFP