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Ban participa de uma entrevista coletiva em Tel Aviv

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O secretário de Estado americano, John Kerry, atribuiu ao Hamas a responsabilidade de um cessar-fogo em Gaza, enquanto buscava com o governo do Egito uma solução para o conflito.

O chefe da diplomacia americana participou de uma série de encontros no Cairo, onde reuniu-se duas vezes em 24 horas com o ministro das Relações Exteriores egípcio e com o chefe da inteligência palestina, para tentar acabar com o conflito, que já causou a morte de mais de 600 palestinos e de 29 israelenses.

Kerry afirmou que um cessar-fogo proposto pelo Egito seria um "modelo" para acabar com duas semanas de violência.

Mas o Hamas, que mantém intensos disparos de foguetes contra Israel, insiste que uma trégua só será aceita depois do fim do bloqueio imposto pelos israelenses à Faixa da Gaza há oito anos.

"Está claro para cada lado com que me reuni que existe um modelo disponível para acabar com a violência, e esse modelo foi a iniciativa egípcia", afirmou o secretário em uma coletiva de imprensa, depois de se reunir com o presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sissi.

O Egito, que faz fronteira com Gaza e Israel, já negociou tréguas em conflitos anteriores, mas tem menos abertura com o Hamas depois de ter incluído o grupo palestino em sua lista negra de grupos terroristas no início do ano.

O governo acusa o Hamas de ser aliado da Irmandade Muçulmana, movimento do ex-presidente Mohamed Mursi. A Irmandade foi declarada ilegal em 2013.

Uma autoridade americana relatou que Kerry tinha abordado questões relativas aos direitos humanos em conversas com as autoridades egípcias, citando condenações à pena de morte em massa e a prisão de jornalistas. Publicamente, no entanto, ele elogiou o país por sua "transição democrática".

- 'Série de opções' -

Autoridades do governo egípcio descartaram publicamente a possibilidade de mudar sua proposta, de acertar uma trégua para depois negociar.

Uma autoridade americana afirmou que a iniciativa egípcia propõe "a forma e o espaço para discussões", mas que "há uma série de opções a serem consideradas para um cessar-fogo".

"Nosso objetivo é alcançar um cessar-fogo o mais rápido possível, e depois os dois lados podem ter uma discussão mais aprofundada sobre os assuntos principais. A discussão agora é sobre o que vai ser preciso para chegar lá", explicou o alto funcionário, que não quis se identificar.

Kerry mediou negociações entre israelenses palestinos, entre junho de 2013 e abril deste ano. Mas as iniciativas não surtiram efeito.

O secretário de Estado atribuiu a culpa pelo atual conflito ao Hamas.

"Por duas semanas, vimos o Hamas jogar um foguete atrás do outro nas vizinhanças de Israel", declarou.

"Israel respondeu como qualquer país tem o direito quando é atacado", assegurou.

O governo israelense afirmou que não vai aceitar as exigências do Hamas, e que vai encerrar sua operação quando forem destruídos os túneis que a organização usa para se infiltrar em seu país.

"Em primeiro lugar, não vai terminar até que realmente tenhamos concluído o projeto dos túneis, que é nosso objetivo principal", garantiu a ministra da Justiça, Tzipi Livni, ao site de notícias Ynet.

Kerry, que não determinou um prazo para sua visita, também conversou nos últimos dias por telefone com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

O secretário ainda falou com os chanceleres do Catar e da Turquia, considerados ligados ao Hamas, e de França, Jordânia e Emirados Árabes Unidos.

AFP