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A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, em Buenos Aires, em 26 de outubro de 2017

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A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner (2007-2015) negou nesta quinta-feira ante a Justiça ter encoberto iranianos acusados por seu país pelo atentado ao centro judaico AMIA, que causou 85 mortes em 1994, e qualificou a denúncia de "grande disparate jurídico".

Kirchner apresentou um texto de 17 páginas ao juiz Claudio Bonadío, que a chamou para depor, em um caso aberto pela denúncia do procurador Alberto Nisman, apresentada quatro dias antes de morrer, em 18 de janeiro de 2015.

"De você não espero justiça", escreveu no texto dirigido a Bonadío, a quem Kirchner tentou destituir durante seu governo ao acusá-lo de mau desempenho.

Bonadío a investiga por traição à pátria e encobrimento agravado por ter assinado em 2012 um acordo com o Irã, que queria poder interrogar em Teerã ou outro lugar conveniente ex-funcionários iranianos de alto escalão acusados pelo atentado.

O juiz tem 15 dias para decidir se a processa junto com o ex-chanceler Héctor Timerman e outros acusados que foram interrogados na última semana, em meio às eleições legislativas de domingo que deram forte apoio ao governo de Mauricio Macri.

"É um grande disparate jurídico. O objetivo desta perseguição judicial é aterrorizar os dirigentes da oposição no Parlamento. Querem um Parlamento submisso", declarou a senadora eleita na saída do tribunal.

A denúncia de Nisman, que apareceu morto um dia antes de detalhar sua acusação no Congresso, foi rechaçada em várias instâncias judiciais "pela ausência de crime" até ser reativada em fevereiro.

Ao pedir ao juiz os interrogatórios, o procurador federal Gerardo Pollicita considerou que existiu "um plano criminoso orquestrado e colocado em funcionamento" e cujo objetivo era "dotar de impunidade" os iranianos com pedido de captura internacional depois do atentado.

O acordo foi aprovado pelo Congresso argentino, mas o Parlamento iraniano nunca o convalidou, e, por isso, não entrou em vigência.

A ex-presidente ratificou nesta quinta-feira que a intenção do memorando "teve apenas um objetivo: permitir os interrogatórios aos acusados iranianos pelo atentado à AMIA, para que o caso avançasse devido às reiteradas reclamações de cooperação internacional em matéria penal que durante muitos anos a Argentina realizou no Irã", escreveu.

No caso AMIA, atualmente é realizado um julgamento contra as autoridades daquela época por desvio da investigação.

Estão no banco dos réus o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999), o juiz a cargo do caso durante os 10 primeiros anos, o ex-chefe dos serviços de Inteligência, dois procuradores, um responsável do coletivo judeu, entre outros.

Nesta quinta-feira começaram as alegações e o veredito é esperado antes do fim do ano.

O atentado à AMIA é o mais grave cometido na Argentina e ocorreu dois anos depois de outro atentado, em 1992, contra a embaixada de Israel em Buenos Aires.

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AFP