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O primeiro-ministro de Kosovo, Isa Mustafa,participa de reunião parlamentar em Pristina, no dia 10 de maio de 2017

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As eleições legislativas antecipadas em Kosovo ocorrerão em 11 de junho, anunciou nesta quinta-feira o presidente Hashim Thaçi, um dia depois de o Parlamento aprovar uma moção de censura contra o governo.

A coalizão no governo não superou um desacordo entre suas duas formações principais: o Partido Democrático de Kosovo (PDK) de Thaçi, e a Liga Democrática de Kosovo (LDK) do primeiro-ministro Isa Mustafa.

Ambos os partidos de centro-direita se enfrentaram sobre a ratificação no Parlamento de um acordo sobre a demarcação da fronteira com Montenegro.

Kosovo, que conquistou sua independência da Sérvia em 2008, fechou em agosto de 2015 um acordo com Montenegro para delimitar uma fronteira entre ambos os países. Essa era uma das condições da União Europeia (UE) para eximir de visto os kosovares, um assunto-chave para este país de 1,8 milhão de habitantes, de maioria albanesa.

A oposição se nega a aceitar o acordo porque considera que entrega a Montenegro vários hectares de terra utilizadas tradicionalmente pelos pastores de Kosovo.

O fato de a LDK voltar a debater o traçado dessa fronteira na quarta-feira, antes de examinar a moção de censura apresentada pelos partidos opositores, precipitou a queda do governo.

O PDK se uniu então à oposição e lhe permitiu conseguir o que desejava: a convocação de eleições legislativas antecipadas, um ano antes do fim do mandato do governo.

O principal partido opositor, Vetevendosje, organizou manifestações violentas sobre o assunto fronteiriço, chegando a lançar bombas de gás lacrimogêneo durante várias sessões parlamentares, a fim de impedir os debates sobre a proposta.

Para vários analistas e observadores ocidentais, a decisão do PDK de se unir à oposição poderia ser uma tentativa de reforçar sua legitimidade popular com um sucesso eleitoral, antecipando os possíveis resultados da investigação do tribunal especial criado para julgar ex-chefes rebeldes do Exército Libertação de Kosovo (UCK), acusados de crimes de guerra.

Entre os nomes dos ex-guerrilheiros que poderiam ser denunciados está o do próprio presidente Thaçi.

O conflito de 1998-1999 entre rebeldes albano-kosovares e as forças sérvias enviadas por Slobodan Milosevic é a última das guerras que atingiu a ex-Iugoslávia.

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