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Kurt Russell nunca ganhou um grande prêmio de atuação, mas estrela neste ano em dois filmes que podem alcançar recordes de bilheteria

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O termo "astro cult" funciona perfeitamente para Kurt Russell, um ator imprevisível cuja carreira inclui muitos sucessos e também alguns dos grandes fracassos de bilheteria, o que não o impediu de virar uma das estrelas mais queridas da história do cinema.

Se repassarmos a participação do ator, de 66 anos, em filmes como a comédia "Os aventureiros do bairro proibido", o de ficção científica e terror "O enigma de outro Mundo" ou o policial "Tango & cash - Os vingadores", é fácil entender porque Russell acaba de alcançar o status de "tesouro nacional" nos Estados Unidos.

Na verdade, esses filmes, como muitos dos seus papéis mais conhecidos, não conseguiram grandes arrecadações em suas exibições nos cinemas e foram destroçados pelos críticos, antes de ganharem uma segunda vida no mercado doméstico.

"Fiz coisas que adorei que não tiveram um bom lançamento, ou que foram inoportunas, ou que as pessoas não quiseram ver, mas depois foram descobertas e se tornaram filmes cult", contou Russell à AFP em uma entrevista em Los Angeles.

"'O enigma de outro Mundo' não foi bem recebido na época, e agora é considerado um dos grandes filmes de terror... 'Os aventureiros do bairro proibido' foi um filme completamente mal interpretado por muitos e amado por outros. E realmente é considerado cult", acrescentou.

Este mês, Russell é o denominador comum de dois dos maiores 'blockbusters' de 2017, "Velozes e furiosos 8", que bateu recordes de bilheteria no mundo todo, e "Guardiões da galáxia vol. 2", que deverá ser uma das maiores estreias domésticas de todos os tempos.

"Quando isso acontece, é bom. É simplesmente bom que chegue o momento em que dois deles fazem 'boom boom'", disse o ator, acomodando-se em sua cadeira em um hotel de West Hollywood.

- A oportunidade bate à porta -

Firmemente posicionado na direita do espectro político - ele se qualifica como libertário -, Russell é a favor da posse de armas e gosta de caçar alces no rancho do Colorado que divide com sua companheira, a atriz Goldie Hawn, há 34 anos.

Um "outsider" de Hollywood em quase todos os aspectos, ele nunca ganhou nenhum dos principais prêmios de melhor interpretação, não comparece às grandes festas e não é membro da Academia.

Seu primeiro filme, "Loiras, morenas e ruivas" (1963), foi gravado em duas semanas com Elvis Presley, mas ele se tornou conhecido no papel de um adolescente em uma série de filmes para a família da Disney.

Ficou amigo de Walt Disney, e muitas vezes contou que, pouco tempo depois da sua morte, em 1966, lhe mostraram uma folha de papel onde o proprietário do estúdio tinha rabiscado suas últimas palavras escritas: "Kirt Russell".

Walt Disney levou para o túmulo seus planos para o jovem ator e o motivo da ortografia estranha, mas esta não foi a última vez que a oportunidade bateu brevemente à porta de Russell - antes de ser empurrada para longe.

Em 1976, fez o teste para os papéis de Luke Skywalker e Han Solo em um promissor e extravagante western espacial chamado "Star Wars", mas abandonou a possibilidade quando o diretor George Lucas duvidou sobre qual personagem seria mais adequado para ele e a NBC lhe ofereceu trabalho em uma série.

- 'Salto de gênero' -

Esse programa da NBC, "The Quest", foi cancelado por baixa audiência após 11 episódios, enquanto "Star Wars" parece ter se saído um pouco melhor. Ainda hoje, Russell é prudente com suas escolhas.

"Se você faz filmes durante 54 anos, haverá muitos deles que você poderia ter feito, ou não fez, ou não conseguiu, seja o que for. Isso é o que um ator faz", disse, encolhendo os ombros.

Russell e o diretor John Carpenter fizeram um sucesso improvável do filme de televisão "Elvis" (1979), e voltaram a se reunir para o distópico "Fuga de Nova York" (1981), "O enigma de outro Mundo" e "Os aventureiros do bairro proibido" (1986).

A carreira de meio século de Russell fechou o círculo em 5 de maio, com o lançamento de "Guardiões da galáxia vol. 2" da Marvel, produzido pela Disney, no qual interpreta Ego, O Planeta Vivo, ao lado de Chris Pratt e Zoe Saldana.

"Minha carreira inteira tem sido saltando de gênero, e me divertindo por estar em todos esses gêneros diferentes", disse.

Russell não é muito um cara da ficção científica; ele não tinha sequer visto o "Guardiões" original quando estava sendo sondado para a sequência.

"Conheço eles, vi alguns 'Homem de ferro', alguns 'Homem-aranha', 'Batmans' e 'Supermans'. Há uma parte disso que não me atrai", admite.

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