Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

(Julho) Integrante da guarda costeira líbia patrulha o Mediterrâneo, ao norte do país

(afp_tickers)

Em Sabratha, principal plataforma na Líbia da imigração clandestina para a Europa, alguns traficantes de pessoas tiveram que abandonar seu "negócio" devido a uma maior vigilância da costa e à forte pressão exercida pelas autoridades e pela população locais.

O resultado foi rapidamente notado do outro lado do Mediterrâneo. Desde meados de julho, 6.500 migrantes chegaram à costa italiana, a cerca de 300 quilômetros da Líbia. Esse número corresponde a apenas 15% do registrado no mesmo período entre 2014 e 2016.

Segundo autoridades de Sabratha, essa diminuição se deve ao aumento da vigilância da costa por parte das Marinhas líbia e italiana, assim como a fortes pressões locais.

Depois da queda do governo de Muamar Kadhafi em 2011, Sabratha se tornou o principal ponto de partida da imigração clandestina. Alguns traficantes controlam partes inteiras da cidade e possuem seus próprios portos, de onde, até há pouco, saíam dezenas de barcos carregados de migrantes diariamente.

"Nós lhes damos uma chance. Os traficantes têm uma oportunidade para se arrependerem", diz à AFP Basem Ghrabli, comandante de uma força de segurança formada inicialmente pelo Governo de União Nacional (GNA) para expulsar os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI). Estes últimos chegaram a ocupar o centro da cidade.

- Ameaças -

Antes do apoio do GNA, "não tínhamos os meios para combater os traficantes que estavam mais bem armados do que nós", conta Ghrabli, responsável pela luta contra a imigração clandestina.

Segundo ele, 90% dos traficantes aceitaram pôr fim às suas atividades ilícitas.

Nas últimas semanas, houve duas reuniões entre as forças de segurança e poderosas tribos, com representantes dos habitantes e dos traficantes.

Segundo o prefeito de Sabratha, Hussein Dawadi, os moradores e as forças de segurança "mandaram uma mensagem contundente: 'Se os imigrantes não abandonarem a cidade, haverá confrontos'. Os contrabandistas entenderam essa mensagem".

Diante da pressão, muitos traficantes se dispõem a entregar às forças de segurança "mais de 10.000 migrantes", os quais pretendiam enviar para a Itália a bordo de embarcações precárias, relata Ghrabli.

"Nós lhes demos vários ultimatos. Se não abandonarem seu tráfico, vamos usar a força", acrescenta.

Para Mourad Ghrabli, chefe de uma milícia pró-GNA, os traficantes "entenderam o risco" que correm. Além disso - completa ele -, os europeus aumentaram a segurança de seu litoral, porque "entenderam que estão sob a ameaça dos terroristas" do EI. Estes continuam na cidade e podem se infiltrar entre os migrantes.

O Tribunal Penal Internacional também aumentou a pressão sobre os traficantes de pessoas, ao garantir, em maio, que estudava "a possibilidade de abrir uma investigação sobre os crimes relacionados com os migrantes na Líbia".

Isso levou alguns traficantes a tentar mudar de imagem, diz Ghrabli.

Segundo ele, um dos mais conhecidos traficantes da região se tornou, nas últimas semanas, responsável por um órgão de segurança encarregado da luta contra a imigração clandestina.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP