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Líder mapuche suspende greve de fome de mais de 100 dias no Chile

Policiais vigiam o edifício administrativo de Curacautin, destruído durante protestos na região de Araucanía, no sul do Chile, em 2 de agosto de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 18. agosto 2020 - 22:51
(AFP)

O "machi" ou guia espiritual mapuche Celestino Córdova, condenado a 18 anos de prisão por duplo homicídio, suspendeu nesta terça-feira (18) a greve de fome que fazia há 107 dias após chegar a um acordo com o governo para visitar sua residência.

Córdova, detido pelo homicídio de dois idosos em 2013 após o incêndio da casa em que viviam, pedia uma autorização especial para visitar sua "rewe" (ao mesmo tempo a casa e espaço cerimonial, onde fica seu totem sagrado) e poder ali renovar sua espiritualidade.

"Acabo de terminar uma conversa com o 'machi' Celestino Córdova, que me disse que aprovou a proposta para suspender a greve de fome. Eu quero valorizar esta decisão", confirmou o ministro da Justiça, Hernán Larraín, durante coletiva de imprensa em Santiago.

Córdova, hospitalizado devido ao seu frágil estado de saúde pela greve, na qual só ingeriu líquidos, poderá cumprir a pena em um centro de Educação e Trabalho na cidade de Temuco, capital da região de Araucanía (600 km ao sul de Santiago), com menos restrições que em um presídio comum.

Além disso, terá autorizada sua saída para a sua rewe, "que poderá se estender a um máximo de 30 horas e que se sujeitará às condições impostas pelas autoridades sanitárias e penitenciárias", explicaram as autoridades.

O acordo foi alcançado depois que Córdova ameaçou aprofundar a greve, deixando de consumir líquidos.

O acordo acrescenta que uma dezena de mapuches, também presos, e que faziam greve de fome em apoio a Córdova não serão sancionados pelo protesto.

O caso de Córdova provocou uma volta da violência no sul do país, particularmente na região de Araucanía, onde se estabelece a maioria das comunidades mapuches, a maior etnia chilena.

Em apoio ao "machi", indígenas mapuches ocuparam vários prédios municipais há duas semanas, antes de serem desalojados pela polícia e grupos anti-aborígines, que gritavam palavras racistas. A desocupação gerou confrontos que terminaram com dois edifícios incendiados.

As comunidades mapuches reivindicam a restituição de terras que consideram suas por direito ancestral. No âmbito deste conflito, são frequentes os ataques incendiários a máquinas agrícolas e prédios nas mãos de particulares.

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