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Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, em 29 de abril de 2017

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Líderes europeus adotaram neste sábado "por unanimidade" sua "firme" estratégia para as negociações de divórcio do Reino Unido, em uma cúpula sem sua colega britânica na qual ressaltaram sua "unidade" diante do Brexit.

"Orientações adotadas por unanimidade. O justo e firme mandato político da UE a 27 para as negociações do Brexit está pronto", tuitou o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, depois que os líderes as aprovaram em poucos minutos e entre aplausos.

O encontro serviu para que alguns mandatários acostumados a longos debates destacassem sua "unidade" neste assunto, depois da recente troca de declarações com a primeira-ministra britânica, Theresa May, que acusou os 27 de "se unirem contra o Reino Unido".

May reagia assim às palavras de sua homóloga alemã, Angela Merkel, que advertiu o Reino Unido para que não criasse "ilusões" sobre as "negociações". "Que nós, os 27, estejamos juntos e falemos em uma só voz é o mais natural do mundo. Mas isso não significa que nos aliamos contra ninguém", respondeu a chanceler neste sábado.

Os líderes aproveitaram também para lançar duas mensagens ao governo britânico: o Brexit terá "um preço" que "não tem motivo para ser punitivo", segundo palavras do presidente francês, François Hollande, e Londres deve levar a sério esse diálogo, segundo o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

- 'Residência permanente' -

O Reino Unido comunicou formalmente no dia 29 de março sua decisão de se tornar o primeiro país a sair do bloco e, desde então, ambas as partes aceleram os preparativos de negociações que se anunciam complexas e nas quais a UE já ressaltou suas prioridades.

O bloco tem dado maior importância ao respeito pelos direitos dos cerca de cinco milhões de cidadãos, tanto europeus como britânicos, afetados pelo Brexit. Por isso, Donald Tusk pediu que Londres dê uma "resposta séria" neste sentido.

"Precisamos de garantias reais para o nosso povo para viver, trabalhar e estudar no Reino Unido e o mesmo para os britânicos" que vivem na Europa, acrescentou o presidente do Conselho Europeu, cujas orientações falam de ter direito "à moradia permanente" após "cinco anos de residência legal" ininterrupta.

As outras prioridades são a conta a ser paga pelo Reino Unido por sua saída, que fontes europeias avaliam em até 60 bilhões de euros, e a fronteira entre a Irlanda e a britânica Irlanda do Norte, especialmente quando ninguém quer o retorno do conflito desativado com os Acordos de Sexta-feira Santa.

Nesse sentido, os mandatários apoiaram o pedido de Dublin de levar em conta que se a Irlanda do Norte algum dia decidir se unir a sua vizinha, este território britânico passará a fazer parte diretamente da UE, como estabelecido nos acordos de paz de 1998.

- O 'Brexit de Theresa' -

Sem progressos significativos nestes três pontos das negociações de separação, os europeus não abrirão as discussões sobre as futuras relações com o Reino Unido, que poderiam incluir um acordo de livre-comércio e que Londres prefere discutir simultaneamente.

As conversas sobre a futura relação, que poderiam acabar com a unidade mostrada até agora pelos 27, começariam se tudo seguir seu curso a partir do outono (no hemisfério norte), indicou Merkel citando o negociador britânico para o Brexit, Michel Barnier.

Qualquer futuro acordo de ambos os lados do Canal da Mancha deverá contar também com o acordo prévio de Madri e de Londres para poder ser aplicado no disputado enclave de Gibraltar, concordaram os mandatários, uma "obviedade" para o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy.

Após a cúpula, a Comissão Europeia publicará sua proposta de diretrizes de negociação, os 27 darão o mandato negociador a Barnier e, tudo isso, antes das eleições britânicas antecipadas de 8 de junho, cujo término a UE espera poder finalmente começar a negociar.

May convocou estas eleições com o objetivo de reforçar sua posição antes das negociações, embora os presidentes europeus tenham relativizado o impacto de uma eventual vitória esmagadora da britânica, já que na ocasião as orientações de negociação já estarão fixadas.

Para o primeiro-ministro luxemburguês, Xavier Bettel, as eleições britânicas são um "problema interno", nas quais a primeira-ministra britânica buscará o apoio da população para "não ter um Brexit duro ou leve, mas o Brexit de Theresa".

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