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Líderes do G7 se reúnem novamente na presença da rainha Elizabeth II

O presidente americano, Joe Biden (E), e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson (D), durante encontro em Carbis Bay, em 10 de junho de 2021 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 11. junho 2021 - 10:19
(AFP)

Em sua primeira cúpula presencial em quase dois anos, os líderes das grandes potências do G7 se reuniram nesta sexta-feira (11) na presença da rainha Elizabeth II, antes de discutirem a recuperação global da pandemia e os desafios colocados pela Rússia e China.

O encontro, que começou nesta sexta-feira e vai até domingo na praia de Carbis Bay, no sudoeste da Inglaterra, será dedicado principalmente à distribuição de vacinas contra o coronavírus e ao combate às mudanças climáticas.

Além disso, servirá para mostrar uma frente unida entre aliados durante a primeira viagem ao exterior do presidente americano, Joe Biden, após os anos turbulentos do governo de Donald Trump.

Neste primeiro dia, os chefes de Estado e de governo da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido tiveram a oportunidade de se reunir novamente após meses de videoconferências devido à crise de saúde.

Antes do primeiro painel de discussão, eles posaram para uma foto de família em frente à praia de areia fina da Cornualha.

Devido ao coronavírus, que deixou quase 128.000 mortes no Reino Unido, que enfrenta agora um aumento da variante Delta - 60% mais contagiosa -, não houve apertos de mãos e todos mantiveram o distanciamento.

Em seguida, foram recebidos pela família real, na presença da rainha Elizabeth II, do príncipe Charles e de seu filho, William, acompanhados de suas esposas.

Juntos, eles visitaram o Projeto Éden, uma grande estufa patrocinada pelo Príncipe Charles, comprometido com a ecologia.

Depois de uma recepção, a soberana de 95 anos, que no início de abril perdeu o marido, Philip, participou de uma nova foto em grupo e comentou, com sua ironia de sempre: "Será que vamos fingir que estamos nos divertindo?"

Já o anfitrião, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, destacou que o encontro oferece uma "enorme oportunidade" para estimular a recuperação mundial depois do coronavírus, uma reconstrução que deve ser mais ecológica, mais justa e mais igualitária.

A reunião marca o "retorno" dos Estados Unidos ao multilateralismo, nas palavras do presidente Joe Biden, após os anos "isolacionistas" de Donald Trump.

"Desejo trabalhar com nossos aliados e sócios para construir uma economia mundial mais justa e inclusiva. Vamos ao trabalho", tuitou o presidente americano.

Biden quer formar uma frente unida contra Rússia e China.

- Um bilhão de vacinas -

Também estarão presentes na cúpula líderes europeus e de quatro países convidados: Índia, Coreia do Sul, Austrália e África do Sul.

No centro das conversas, estará uma distribuição mais equitativa das vacinas contra a covid-19 por parte dos países ricos.

Diante dos crescentes apelos por solidariedade, os líderes devem anunciar a distribuição de "pelo menos um bilhão de doses" - compartilhadas, ou financiadas - e o aumento da capacidade de produção, com o objetivo de "acabar com a pandemia em 2022", segundo Downing Street.

O governo dos Estados Unidos já se comprometeu a doar 500 milhões de doses da vacina da Pfizer/BioNTech, e o Reino Unido, 100 milhões de doses excedentes.

Mas isto é insuficiente para ONGs como a Oxfam, que destacam a necessidade de pelo menos 11 bilhões de doses para erradicar uma pandemia que matou 3,7 milhões de pessoas.

Está "muito lento", lamentou o britânico David Nabarro, da Organização Mundial da Saúde (OMS), à Rádio Times, ecoando as críticas das ONGs que pedem ações mais fortes, como o levantamento de patentes de vacinas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, insistiu em que as vacinas "deveriam ser consideradas bens públicos mundiais (...) à disposição de todos".

Até o momento, um quarto das 2,3 bilhões de doses administradas em todo mundo foi aplicado nos países do G7, que respondem por apenas 10% da população mundial.

Os países de baixa renda, segundo a definição do Banco Mundial, registram apenas 0,3% das doses aplicadas.

- Desafio chinês -

A luta contra as mudanças climáticas será outra prioridade da reunião de cúpula.

Johnson tem a ambição de desenvolver uma "revolução industrial verde" para reduzir à metade as emissões de gases do efeito estufa até 2030.

Para preservar a biodiversidade, o premiê deseja que o G7 se comprometa a proteger "ao menos 30%" das terras e dos oceanos até o ano citado.

O clube das sete grandes economias também deve promover o investimento em infraestruturas limpas nos países em desenvolvimento para estimular e obter a neutralidade de carbono de suas economias.

Outro assunto presente na agenda é o dos desafios representados por Pequim e Moscou, cujo presidente Vladimir Putin se reunirá com Biden na quarta-feira em Genebra.

"A linha europeia é clara: a China é um rival sistêmico, um parceiro nas questões globais e um concorrente", disse uma fonte francesa.

Outro ponto de atrito é a complicada aplicação do Brexit na região britânica da Irlanda do Norte.

Biden, de origem irlandesa, se absteve de criticar publicamente Johnson em seu primeiro encontro presencial na quinta-feira, mas as autoridades europeias pretendem exigir que cumpra com o acordo, já que Londres não aplica os controles alfandegários pós-Brexit para evitar tensões com os unionistas norte-irlandeses.

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