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O presidente americano Donald Trump, no Salão Oval na Casa Branca, no dia 2 de outubro de 2017, em Washington, DC

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Em função do tiroteio mais violento ocorrido na história recente dos Estados Unidos, quando um aposentado atacou o público de um show country em Las Vegas, Donald Trump deverá enfrentar novos questionamentos sobre a venda de armas de fogo no país.

As autoridades não vinculam, por enquanto, a matança - que deixou ao menos 58 mortos e 515 feridos - ao terrorismo internacional, apesar do ataque ter sido reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI).

O autor dos disparos, que se suicidou, dispunha de mais de dez fuzis no quarto de hotel de onde abriu fogo.

Em um breve pronunciamento na Casa Branca, o presidente afirmou que o ato representa "o mal absoluto" e pediu que o país permaneça unido e reze. Mas não disse nenhuma palavra sobre a legislação referente às armas de fogo. Pouco depois, a sua porta-voz, Sarah Huckabee Sanders, opinou que era "prematuro" empreender esse debate.

Apesar da investigação ter apenas começado, os rivais democratas de Trump já exigem, independentemente de quais tenham sido as motivações do assassino, uma modificação na legislação sobre armas, tema que suscita debates acalorados nos Estados Unidos.

Apoiado na campanha eleitoral pela maior organização americana defensora do direito de possuir armas de fogo, a Associação Nacional do Rifle (NRA), Donald Trump sempre foi um defensor feroz da Segunda Emenda da Constituição, cuja interpretação é objeto de ásperas discussões, que estipula que não se pode atentar contra "o direito do povo de ter e portar armas".

Algumas horas depois da tragédia, a ex-candidata democrata à presidência Hillary Clinton pediu um debate aprofundado sobre as armas. "Nosso sofrimento não é o suficiente. Podemos e devemos deixar a política de lado, enfrentar a NRA e trabalhar juntos para tentar fazer com que isso não volte a ocorrer", escreveu no Twitter.

"Sempre há (pessoas que matam) com histórias e motivações diferentes, seu trágico elemento em comum é ter armas poderosas", destacou Ben Rhodes, ex-assessor de Barack Obama, que tentou em vão fazer com que os Congresso legislasse sobre o assunto.

Massacre após massacre, os democratas não deixaram de tentar tornar a legislação sobre a venda de armas mais estrita, mas os republicanos conseguiram, até agora, agir em bloco e se opor a qualquer limitação.

As pesquisas de opinião indicam que a maioria dos americanos é a favor de um endurecimento da legislação.

- "Um amigo na Casa Branca" -

Donald Trump não deu até agora nenhum sinal de que fosse mudar sua postura, que entusiasma a sua base eleitoral mais fiel.

"Vocês têm um autêntico amigo na Casa Branca (...). Vocês me apoiaram, eu os apoiarei", declarou Trump 100 dias depois de sua chegada ao poder, em um insólito comparecimento de um presidente em exercício à NRA.

Durante a campanha, já tinha ido longe em sua argumentação, quando usou o exemplo do regime francês, muito restritivo, afirmando que os atentados de 13 de novembro em Paris não teriam sido tão letais se a lei fosse diferente.

Para ganhar a simpatia de milhares de membros da NRA, Trump lembra regularmente que dois de seus filhos são sócios dessa entidade há anos. "Eles têm tantos fuzis e armas que às vezes até eu fico um pouco preocupado", brincou certa vez.

Nesta segunda-feira de manhã, o senador democrata Chris Murphy, de Connecticut, onde em dezembro de 2012 aconteceu o massacre da escola de Sandy Hook, em Newtown, manifestou sua irritação.

"É simplesmente exasperante que meus colegas no Congresso tenham tanto medo da indústria das armas que fingem que não há nenhuma solução política para esta epidemia". "É hora de que o Congresso se mova e faça algo", acrescentou.

Nancy Pelosi, líder da bancada democrata na Câmara de Representantes, escreveu ao líder republicano Paul Ryan para pedir a criação de uma comissão que proponha "uma lei razoável para ajudar a acabar com esta crise".

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AFP