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Adam Taggart em Sebastopol, Califórnia, no dia 30 de março de 2017

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Estar preparados para uma guerra civil ou nuclear, alguma calamidade climática ou um colapso econômico: essa é intenção do crescente "movimento dos sobreviventes", que temem que o fim do mundo se aproxime em função da chegada de Donald Trump ao poder.

Esta corrente ganhou força depois da devastação causada pelos furacões Katrina e Sandy, e da crise financeira de 2008.

"Está crescendo. Fomos de um evento por ano com 5.000 pessoas em 2010, quando começamos, para seis por ano com 10.000" a cada vez, destacou Ron Douglas, fundador da Self Reliance Expo, uma convenção dedicada a tudo o que se precisa saber e ter caso o pior aconteça.

Os inúmeros programas de reality-show sobre este tema mostram o fascínio pelo movimento, entre eles "Largados e Pelados", no qual participantes nus devem sobreviver na selva; ou "Doomsday preppers" ("Preparados para o apocalipse", em tradução livre), em que um júri decide quem está melhor preparado para o fim do mundo.

Também destaca-se "The Walking Dead", a popular série de televisão sobre sobrevivência após um apocalipse zumbi.

- Botas e chinelos -

Além de desastres naturais como tornados, furacões e terremotos, os chamados "preppers" ("preparados"), sejam liberais ou conservadores, "têm medo de uma guerra civil, do colapso do governo, de uma invasão da Rússia ou da China", acrescentou Douglas.

A cada vez é contatado com mais frequência de lugares extremamente democratas, como Berkeley (Califórnia) e Boulder (Colorado), com comentários incomuns sobre a nova administração.

"Aparecem dizendo que esta eleição é o início do fim da civilização como a conhecemos. Perguntam como se preparar para uma guerra nuclear ou como construir um bunker", indicou.

Douglas explicou que antes de Trump assumir o poder, os "sobreviventistas" que apareciam eram principalmente homens brancos republicanos, enquanto hoje se vê uma mistura de pessoas com roupas em estilo militar e outras com chinelos e rastafári.

Inclusive estão surgindo grupos no Facebook como os "'Preppers' veganos liberais", e até os milionários gênios do Vale do Silício estão se preparando para conflitos sociais que podem ocorrer com a automatização.

"Desde 2008 há um aumento dos movimentos populistas e há uma porcentagem que o leva muito em conta", assinalou Marvin Liao, um executivo da Yahoo! que agora é sócio da 500 Startups, uma empresa de gestão de capital.

"O espaço entre ricos e pobres cresceu e há certa ira contra a classe afluente. Se você é um bilionário, tem um esconderijo seguro", que pode ser no Canadá, em alguma cidade da América Latina, ou em uma ilha do Caribe, explicou Liao, que embora se defina como um "prepper light", diz que Trump aumentou seus temores de um apocalipse.

- Sempre pronto -

Adam Taggart é amigo de Liao. Também foi executivo no Vale do Silício, mas o deixou há vários anos para viver na região vinícola no norte da Califórnia.

Taggart concorda que Trump tenha contribuído para aumentar a ansiedade, mas sustentou que a sociedade ocidental já estava se encaminhando para um cenário de destruição com o incremento das dívidas e da inflação, e a superexploração dos recursos naturais.

E em seu site, o PeakProsperity.com, ele dá dicas de como construir equipamentos de sobrevivência. Ele, por exemplo, tem sua própria horta, cria aves, porcos e tem o suficiente de comida enlatada e água para se manter por alguns meses.

Também tem duas armas caso precise sair para caçar, uma quantidade de dinheiro, barras de ouro, um gerador, madeira e um sistema para filtrar água.

E para evitar que tenha que usar lentes, se submeteu a uma operação a laser na vista.

Em seu novo lar em Sonoma, ao norte de San Francisco, faz parte de um grupo de "preppers" que se reúne semanalmente.

"Se as coisas começarem a ir mal, lutaremos juntos. É impressionante como é difícil sobreviver sozinho", lançou.

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