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Liberdade de imprensa corre perigo nos EUA por causa da NSA

Edward Snowden conversa com membro do Parlamento Europeu por videoconferência, em 24 de junho de 2014, sobre o sistema de vigilância americano. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 28. julho 2014 - 16:55
(AFP)

A vigilância em grande escala realizada pelos serviços de inteligência americanos afeta a liberdade de imprensa e a democracia, denuncia um relatório divulgado nesta segunda-feira pela maior organização de direitos civis nos Estados Unidos.

O estudo da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e da ONG Human Rights Watch foi feito por meio de entrevistas com 92 jornalistas, advogados e funcionários governamentais.

A pesquisa conclui que os programas de vigilância criados pelos Estados Unidos com o objetivo de evitar atentados afetaram a liberdade de imprensa, o direito do público à informação e o direito de obter uma ajuda jurídica.

"O trabalho dos jornalistas e dos advogados está no coração de nossa democracia", enfatizou o autor do documento, Alex Sinha. "Quando seu trabalho se vê afetado, nós também somos afetados", acrescentou.

"Os Estados Unidos se apresentam como modelo da liberdade e do comércio, mas seus próprios programas de vigilância ameaçam os valores que acreditam defender", destacou Sinha.

Segundo os jornalistas consultados, os vazamentos de Edward Snowden - que no ano passado soaram o alerta para a espionagem de telefones e comunicações na internet por parte da Agência Nacional de Segurança (NSA) americana - provocaram temor entre as fontes de informações que agora pensam duas vezes antes de fornecê-las à imprensa.

Cada vez mais, os jornalistas utilizam técnicas elaboradas para codificar suas mensagens e alguns apenas se comunicam por telefones pré-pagos e evitam o uso da internet.

"Houve oito casos penais contra fontes (durante o governo de Barack Obama) contra três anteriores, e isso não passou despercebido entre nós e nossas fontes", explicou Charlie Savage, do New York Times e ganhador de um prêmio Pulitzer.

Um grupo de 42 advogados - criminalistas e de direito civil - também descrevem um ambiente cada vez mais desfavorável à confidencialidade. Alguns advogados dizem usar técnicas similares as dos jornalistas para evitar a espionagem na Internet.

"Me enfurece pensar que devo agir como um traficante de drogas para proteger a privacidade de meus clientes", lamenta um advogado interrogado pela ACLU.

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