AFP

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, em Varsóvia, em 19 de abril de 2017

(afp_tickers)

O Reino Unido deverá resolver primeiro o seu divórcio com a União Europeia (UE) antes de iniciar as negociações sobre um futuro acordo comercial com Bruxelas, advertiu nesta sexta-feira o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

"Antes de falar sobre o nosso futuro, temos que solucionar os assuntos do passado", afirmou Tusk em uma carta-convite a uma cúpula de chefes de Estado europeus no sábado em Bruxelas, para abordar o Brexit sem sua homóloga britânica.

O presidente do Conselho Europeu, que representa os líderes do bloco, informou que os assuntos a "resolver primeiro" serão relativos "às pessoas, às finanças e à Irlanda", antes de iniciar qualquer discussão comercial.

O Reino Unido já demonstrou sua preferência por negociar simultaneamente o divórcio e a futura relação que manterá com seus 27 sócios atuais uma vez que abandone o bloco, provavelmente no primeiro trimestre de 2019.

Esses são os três grandes temas que as duas partes têm sobre a mesa, começando pelo futuro dos cerca de três milhões de cidadãos da UE que vivem no Reino Unido e do milhão de britânicos residentes na UE.

Em segundo lugar, as finanças, ou seja, a conta a ser paga pelos britânicos para sair da UE, estimada em 60 bilhões de euros pelos europeus.

Por último, a questão da fronteira entre a República da Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte.

"Não é apenas uma questão de tática mas, diante do tempo limitado que temos para fechar as negociações, é a única abordagem possível", escreveu Tusk em sua carta.

Os mandatários preveem aprovar neste sábado as orientações para o Brexit reveladas pelo presidente do Conselho Europeu no final de março, que estabelecem as bases políticas das negociações que o francês Michel Barnier liderará em nome dos 27.

Durante a reunião, a Irlanda pretende pedir que se considere que se um dia a Irlanda do Norte decidir reunificar-se com sua vizinha, este território britânico passa a estar automaticamente dentro do bloco, em virtude dos Acordos de Belfast, de 1998.

Segundo o rascunho do texto que poderá ser incluído nas minutas da cúpula, consultado pela AFP, "o Conselho Europeu reconhece que, conforme o direito internacional, todo território da Irlanda unida faria parte da UE".

A cúpula acontecerá dois dias depois da troca de advertências entre a chanceler alemã, Angela Merkel, e a primeira-ministra britânica, Theresa May, sobre as negociações sobre a saída do Reino Unido da UE.

"Um terceiro país não gozará dos mesmos direitos, ou de direitos mais vantajosos, que um país membro" da União Europeia (UE), afirmou Merkel ante o Parlamento alemão.

AFP

 AFP