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Luis Posada Carriles, ex-agente da CIA e anticastrista, morre aos 90 anos

(2014) Posada Carriles (e) participa de protesto em Miami após o anúncio de mudança da política dos Estados Unidos para Cuba afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 23. maio 2018 - 14:23
(AFP)

O conhecido anticastrista Luis Posada Carriles, que trabalhou para a CIA e era apontado por Havana como o responsável pelo atentado contra um avião cubano em 1976, morreu, aos 90 anos, nesta quarta-feira (23) - anunciou seu advogado.

Posada Carriles, que enfrentava um câncer na garganta, morreu em sua residência de Miramar, ao norte de Miami, confirmou à AFP o escritório do advogado Arturo Hernández.

Nascido em Cuba em 15 de fevereiro de 1928, Posada Carriles tentou diversas vezes assassinar Fidel Castro. Participou em 1961 do desembarque na Baía dos Porcos, que tinha como objetivo derrubar o governo castrista.

Em 1976, Posada Carriles e Orlando Bosch (já falecido) foram detidos em Caracas pela Polícia venezuelana, acusados de organizar um atentado contra um avião da companhia Cubana que matou as 73 pessoas a bordo, em sua maioria cubanas. A aeronave caiu poucos minutos depois de decolar de Barbados.

Posada Carriles fugiu de uma prisão venezuelana em 1985, quando aguardava uma sentença pelo atentado, e se mudou para Miami.

Desde então, Venezuela e Cuba exigiam de Washington a extradição do cubano para que respondesse pelo ataque, mas a Justiça americana rejeitou os pedidos, alegando que o acusado poderia ser torturado nestes países.

Cuba também atribui a Posada Carriles, que trabalhou para a CIA nas décadas de 1960 e 1970, uma série de atentados com bombas a hotéis de Havana em 1997. Um italiano morreu nos ataques.

Considerado um herói por seus colegas de exílio e rotulado de terrorista pelo governo cubano, o polêmico Posada Carriles nunca admitiu seu envolvimento em tais ataques.

"Sua história é uma história de sacrifício. Ele sacrificou toda sua vida e deixou de passar tempo com sua família, por Cuba. Ele se dedicou inteiramente à causa cubana, e é uma grande perda", declarou à AFP Johnny Lopez de la Cruz, presidente da Brigada 2506, uma associação de veteranos da Baía dos Porcos em Little Havana, Miami.

Sob a acusação de terrorismo, o coronel aposentado do Exército americano, que se referia a Posada Carriles pelo apelido de "Bambi", considerou que "é natural que o ataquem, uma vez que Bambi era um inimigo do regime cubano".

"Ele lutou incansavelmente contra o comunismo e sacrificou sua vida nessa luta e, portanto, deve ser lembrado", opinou, por sua vez, Orlando Gutiérrez, secretário nacional do grupo anticastrista Diretório Democrático Cubano, ao jornal local "El Nuevo Herald".

Em seus últimos anos em Miami, foi um dos mais ferozes opositores à aproximação entre Washington e Havana anunciada em 2014 pelo então presidente americano, Barack Obama, e o líder cubano, Raul Castro.

"Com os bandidos não pode haver negócios. Ninguém pode fazer negócios com criminosos, com assassinos, traficantes de drogas, e esses são Raul e seu bando", afirmou na ocasião Posada Carriles a repórteres.

A aproximação foi freada pelo atual presidente americano, Donald Trump.

Em 1994, Posada Carriles publicou um livro intitulado "Los caminos del guerrero", em que afirma que suas operações foram financiadas pela fundação do empresário cubano Jorge Mas Canosa, um dos pesos-pesados ​​do lobby anti-Castro nos Estados Unidos.

A Cuban American National Foundation negou tal ligação, segundo uma reportagem de 1998 do jornal "The New York Times".

Atualmente, os herdeiros de Mas Canosa desenvolvem inúmeros projetos de construção de infraestruturas nos Estados Unidos, incluindo o projeto do estádio do time de futebol da Major League Soccer, que o britânico David Beckham quer criar em Miami.

Em 2015, o anticastrista sofreu várias fraturas em um acidente de trânsito em Miami.

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