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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio de Janeiro, no dia 6 de junho de 2016

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder histórico da esquerda, virou réu por tentativa de obstrução das investigações do megaesquema de corrupção na Petrobras.

"A causa é por obstrução da Justiça", no âmbito da investigação da Operação Lava Jato, declarou nesta sexta-feira (29) uma porta-voz da promotoria de Brasília à AFP.

É a primeira vez que o fundador do Partido dos Trabalhadores, que foi presidente do Brasil de 2003 a 2010, irá a julgamento pelo escândalo que defraudou a Petrobras durante uma década, custando mais de 2 bilhões de dólares, para beneficiar dezenas de políticos, empresários e funcionários da empresa petroleira.

Lula, de 70 anos, deixou a presidência no fim de 2010 com mais de 80% de popularidade, devido seus programas sociais que tiraram mais de 40 milhões de brasileiros da pobreza.

Seu carisma foi fundamental para que o Rio de Janeiro fosse escolhido em 2009 como a cidade-sede dos Jogos Olímpicos que começarão em uma semana, mas seu legado foi assombrado pela gigantesca rede de corrupção descoberta na Petrobras, em que dezenas de políticos de seu partido estavam envolvidos.

Mas nem Lula, nem sua sucessora Dilma Rousseff, suspensa pelo Congresso enquanto é julgada por uma suposta manipulação das contas públicas, assistirão a cerimônia inaugural dos Jogos em 5 de agosto, que será liderada pelo presidente interino Michel Temer.

Na mesma decisão, o juiz federal Ricardo Leite aceitou uma denúncia por obstrução da justiça contra outras seis pessoas envolvidas no caso, entre elas o banqueiro André Esteves (ex-presidente do BTG Pactual), o empresário pecuarista, e amigo de Lula, José Carlos Bumlai e o ex-líder do Partido dos Trabalhadores (PT), o ex-senador Delcídio do Amaral.

Cumpridor da lei

Após saber que irá a julgamento, o ex-presidente insistiu nesta sexta-feira de sua inocência. "Duvido que haja alguém mais cumpridos da lei que eu. A única coisa que quero é respeito, que não haja um ajuizamento através dos titulares e filtrações contra pessoas inocentes", disse em uma seminário em São Paulo, citado pelo jornal Folha de S. Paulo.

"O que fizeram foi vingança política (...) O objetivo de tudo isso é tirar o Lula da campanha de 2018" à presidência do Brasil, afirmou.

Lula "já esclareceu ao procurador-geral da República, em uma declaração, que jamais interferiu ou tentou interferir em declarações relativas a Lava Jato", assinalou em uma nota o escritório de advogados Teixeira, Martins & Advogados, que representa o ex-presidente.

Quando for notificado "apresentará sua defesa e ao final sua inocência será certamente reconhecida", acrescentaram.

"A acusação se baseia exclusivamente na delação premiada de um réu confesso e sem credibilidade, que fez acordo com o Ministério Público Federal para ser transferido para a prisão domiciliar", acrescentaram os advogados de Lula, fazendo referência ao ex-senador Delcídio do Amaral.

Em declarações à promotoria, Delcídio afirmou que Lula, Esteves e Bumlai, entre outros, se juntaram para tentar comprar o silêncio do ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, que se prestava a assinar um acordo com a justiça e proporcionar detalhes de como funcionava o esquema de subornos na estatal.

A tentativa de silenciar Cerveró motivou a denúncia pelo crime de obstrução da justiça.

A prisão de Delcídio, em novembro de 2015, quando ainda era membro do Congresso, convulsionou a classe política e em especial o PT, temeroso das repercussões que sua confissão poderia trazer para seus filiados.

A justiça investiga também se Lula, que por ser um ex-presidente não está protegido por foros, se beneficiou de supostos pagamentos de construtoras que obtinham contratos na Petrobras em troca de subornos.

O ex-presidente apresentou na quinta-feira (28) uma demanda ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, para denunciar "abusos de poder" contra ele por parte do juiz Sérgio Moro, que lidera a investigação da Lava Jato.

Dias difíceis para o PT

O julgamento contra Lula chega em um momento difícil para o PT, abatido por diversos escândalos de corrupção, além do processo de impeachment de Dilma Rousseff, sua sucessora, que está em curso no Congresso.

Rousseff foi provisoriamente suspensa em 12 de maio, acusada por seus opositores de maquiar e usar irregularmente as contas públicas em 2014 - ano de sua reeleição - e 2015.

O Senador decidirá no final de agosto, após o fim dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, se Dilma deverá ser afastada definitivamente do cargo e se seu vice-presidente e ex-aliado político, Michel Temer (PMDB), a substituirá na presidência até que novas eleições presidenciais ocorram em 2018.

"Estamos esperando que o impeachment seja resolvido entre os dias 25 e 26 de agosto, porque se for verificado nos dia 4, 5 ou 6 de setembro, o Brasil não poderá estar na cúpula do G20 (na China). O undo necessita saber quem é o presidente" do Brasil, disse Temer nesta sexta-feira em uma entrevista com a AFP e outras agências internacionais.

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AFP