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Médicos acreditam que respiradores podem prejudicar alguns pacientes com COVID-19

Um respirador conectado a um boneco durante uma instrução de médicos em Hamburgo afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 16. abril 2020 - 14:40
(AFP)

Um debate global surgiu entre os médicos que lidam com casos de COVID-19: quando os pacientes que precisam de ajuda para respirar devem ser colocados em respiradores? E, será que a entubação pode trazer mais problemas do que benefícios para algumas pessoas?

Esta é uma das grandes perguntas médicas do momento, junto com a dúvida sobre o quão efetivo realmente é para a COVID-19 o medicamento para a malária hidroxicloroquina, disse um médico dos EUA à AFP.

É impossível saber com certeza, porém, se os pacientes em respiradores morreriam da mesma forma, devido à gravidade de suas condições.

Mas um número crescente de médicos tem dito que os pacientes com COVID-19 parecem ceder rapidamente quando são colocados em ventiladores, ou entubados.

Nas últimas semanas, hospitais americanos começaram a fazer todo o possível para adiar o uso de respiradores. O governo federal encomendou cerca de 130.000 unidades deste equipamento, com medo de que ficassem escassos.

Os primeiros sinais de alerta vieram da Itália, onde a grande maioria dos pacientes colocados em respiradores artificiais morreu.

As estatísticas também não são boas no Reino Unido e em Nova York, onde 80% dos pacientes entubados também morreram, segundo o governador do estado.

O médico Luciano Gattinoni e seus colegas em Milão descreveram no final de fevereiro como devem ajustar seus procedimentos.

"Tudo o que podemos fazer para ventilar estes pacientes é 'ganhar tempo' com danos adicionais mínimos", escreveu o médico na carta que enviou à publicação da Sociedade Torácica Americana, na qual explicou por que deveria apostar em configurações com menor pressão de ar.

- "Aprendendo no caminho" -

Kevin Wilson, professor de medicina da Universidade de Boston e diretor de diretrizes na Sociedade Torácica Americana, concorda com a necessidade de precauções.

"A maior parte da comunidade de saúde está um pouco nervosa com esses relatos negativos sobre pessoas que não se deram bem com os respiradores e está realmente se movendo para adiar a entubação", disse para a AFP.

"Nós a adiamos enquanto pudermos, mas não ao ponto em que se transforme em uma emergência", acrescentou.

Em vez de usar os respiradores diretamente, os médicos estão optando por usar métodos menos invasivos - como cânulas nasais que levam oxigênio pelo nariz, máscaras respiratórias convencionais, ou mais sofisticadas, ou até mesmo deitar os pacientes de bruços, uma posição que ajuda os pulmões.

"Estamos aprendendo no caminho", afirmou Wilson.

A maior parte das novas informações disponíveis vem de Nova York, onde mais de 10.000 pessoas morreram pelo novo coronavírus.

Sociedades médicas, inclusive especialistas internacionais da Surviving Sepsis Campaign, estão no processo de escrever um manual com as melhores práticas. Mas ninguém tem ainda a resposta definitiva.

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