Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Liu Xiaobo e sua esposa Liu Xia em Pequim, em 22 de outubro de 2002

(afp_tickers)

Os médicos da Alemanha e dos Estados Unidos que visitaram no sábado (8) o dissidente chinês e prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo, que sofre de câncer de fígado em fase terminal, declararam neste domingo (9) que ele pode ser transferido "sem perigo" ao exterior para receber tratamento.

O comunicado dos especialistas, que contradiz a recomendação dos médicos chineses responsáveis pelo caso, parece ser uma pressão adicional para que a China autorize o dissidente ser tratado no exterior e que permita escolher seu próprio tratamento.

No sábado, o Hospital Universitário Nº1 de Shenyang (noroeste da China), onde Liu está sendo tratado, considerou ser "perigoso" uma transferência ao exterior em razão do seu delicado estado de saúde.

Mas o médico oncologista americano Joseph Herman, do MD Anderson Cancer Center, e o médico alemão Markus Buchler, da Universidade de Heidelberg, indicaram o contrário.

"Apesar de sempre existir um certo nível de risco no transporte de qualquer paciente, os dois médicos acreditam que Liu pode ser transferido sem riscos, com a atenção e o apoio médicos apropriados", afirmaram em um comunicado conjunto.

"Contudo, esta transferência médica deve ser realizada o mais rapidamenteo possível", ressaltam.

O texto acrescenta que as instituições para as quais trabalham aceitaram receber e tratar Liu.

Liu Xiaobo foi condenado em 2009 a 11 anos de prisão por "subversão", após pedir reformas democráticas em seu país. Foi um dos autores da Carta 08, um manifesto que defendia, entre outras coisas, eleições livres.

O ativista se tornou em 2010 o primeiro chinês a receber o Nobel da Paz.

Liu foi posto em liberdade condicional depois de ser diagnosticado, em maio, com um câncer de fígado em fase terminal.

Desde a hospitalização de Liu Xiaobo, vários países ocidentais pressionam Pequim para que autorize o dissidente a viajar ao exterior em busca de atendimento para sua doença terminal.

Sua família e o próprio Liu, de 61 anos, desejam um tratamento no exterior.

Ativistas e dissidentes chineses acusam Pequim de mentir ao dizer que Liu está doente demais para viajar, e asseguram que o governo teme dar ao dissidente uma plataforma para que se expresse no exterior.

"A declaração dos dois especialistas mostra que as autoridades chinesas mentiram quando o hospital emitiu a sua declaração ontem", declarou o pesquisador Patrick Poon, da Anistia Internacional.

"O governo chinês deve assumir isso ao invés de continuar a encobrir e [espalhar] notícias falsas. O desejo de Liu Xiaobo deve ser respeitado antes que seja tarde demais", considerou.

Herman e Buchler disseram "não ter queixas quanto à qualidade dos cuidados" que Liu recebe no hospital chinês.

Mas, enquanto o hospital recomenda concentrar-se em aliviar os sintomas da doença terminal de Liu, os médicos estrangeiros argumentam que ainda há alternativas.

"Ainda podem existir outras opções, incluindo intervenções e radioterapia", disseram eles.

AFP