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Postais com a imagem de Liu Xiaobo em Hong Kong, em 5 de julho

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Médicos da Alemanha e dos Estados Unidos visitaram neste sábado (8) o dissidente chinês e prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo, que sofre de câncer de fígado em fase terminal, anunciou o hospital onde está internado.

Os médicos estrangeiros visitaram Liu, de 61 anos, em um contexto de pressão internacional para que Pequim autorize o dissidente ser tratado no exterior e que permita escolher seu próprio tratamento.

"Após terem escutado um balanço detalhado do estado do paciente e recebido um informe sobre o diagnóstico e seu tratamento, os médicos especialistas examinaram o paciente em seu quarto", informou em seu site o Hospital Universitário Nº1 de Shenyang (noroeste da China).

"Os especialistas americanos e alemães validaram totalmente o programa de tratamento e as medidas adotadas pelo grupo de especialistas" responsáveis pelo caso, acrescentou o hospital.

Os médicos chineses consideraram, no entanto, ser "perigoso" a trasferência de Liu ao exterior em razão do seu delicado estado de saúde.

Liu Xiaobo foi condenado em 2009 a 11 anos de prisão por "subversão", após pedir reformas democráticas em seu país. Foi um dos autores da Carta 08, um manifesto que defendia, entre outras coisas, eleições livres.

O ativista se tornou em 2010 o primeiro chinês a receber o Nobel da Paz.

Liu foi posto em liberdade condicional depois de ser diagnosticado, em maio, com um câncer de fígado em fase terminal.

Desde a hospitalização de Liu Xiaobo, vários países ocidentais pressionam Pequim para que autorize o dissidente a viajar ao exterior em busca de atendimento para sua doença terminal.

A ONU também pediu na sexta-feira à noite para ter acesso ao opositor político.

Vários amigos do prêmio Nobel consideram que ele está perto da morte desde que o Hospital Universitário Médico Nº1 de Shenyang anunciou, na quinta-feira, que sua função hepática piorou.

O governo de Pequim foi muito criticado por grupos de defesa dos direitos humanos pelo tratamento dado a Liu e por ele ter sido liberado apenas depois do diagnóstico de um câncer em estágio avançado.

As autoridades chinesas alegam que o dissidente foi tratado por grandes oncologistas do país no hospital de Shenyang.

O hospital anunciou esta semana que os médicos deixaram de dar a Liu um anticancerígeno e de tratá-lo com medicina tradicional chinesa, para evitar danificar mais o seu fígado.

Segundo uma carta manuscrita do cunhado de Liu, publicada na sexta-feira no site da instituição, seu tratamento não foi interrompido, mas "ajustado, dada a gravidade da doença e a evolução do tumor".

AFP