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O presidente dos Estados Unidos Donald Trump embarca no Air Force One em Maryland, no dia 22 de agosto de 2017

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Pode Donald Trump, como ele próprio afirma, solucionar o problema do Afeganistão? Os analistas têm dúvidas e assinalam que a estratégia do presidente americano aponta mais para uma guerra sem fim para os afegãos.

O país, já debilitado por décadas de conflitos, corrupção endêmica e instituições frágeis, se arrisca a mergulhar um pouco mais na violência diante de adversários talibãs, advertem.

Isto se levar em conta a possibilidade de que a presença americana se prolongue indefinidamente, já que Trump tem sido vago em falar de cifras, datas ou da definição da palavra "vitória" que usou tantas vezes.

"A estratégia consiste em adaptar os meios aos objetivos. Penso que tem se falado muito dos objetivos, mas não dos meios", avalia James Der Derian, do Centro de Estudos de Segurança Internacional da Universidade de Sidney.

Em sua opinião, "com a aplicação desta política, vai haver muito mais vítimas civis".

Contradizendo-se em sua promessa de campanha de "sair do Afeganistão", Trump abriu na segunda-feira o caminho para o envio de milhares de soldados suplementares - até 3.900, segundo o Pentágono -, ao mesmo tempo em que acentuou a pressão sobre o Paquistão, ao qual acusa de ser uma guarida de "agentes do caos".

Atualmente há 8.400 soldados americanos no Afeganistão, no âmbito de uma força internacional de 13.500 militares que, fundamentalmente, aconselha as forças afegãs, que contam por sua vez com 190.000 homens.

Uma saída precipitada do Afeganistão deixaria um vácuo que beneficiaria os "terroristas" da Al Qaeda ou do grupo Estado Islâmico, justifica o presidente americano.

Mas os analistas destacam que uma diferença de mil soldados pode complicar a posição americana.

"A menos que se queira deslocar 300.000 soldados, não se pode preencher este vazio. É dura a realidade do Afeganistão, do Iraque, das insurreições em geral", ressalta o professor Der Derian.

"Os talibãs sobreviveram a cosias piores" que um reforço de 4.000 soldados, destaca.

Os insurgentes se apoiam na importante receita do ópio, enquanto outros rebeldes continuam ampliando sua esfera de influência.

Em fevereiro passado, apenas 60% dos 407 distritos afegãos eram controlados pelo governo, segundo o Sigar, um organismo americano encarregado de controlar a ação dos Estados Unidos no Afeganistão.

Analistas se perguntam também sobre os critérios de Trump, que advertiu que sua estratégia seria guiada pelas "condições no terreno e não por calendários arbitrários".

"Os Estados Unidos não definiram estas condições", destaca Javid Ahmad, investigador para o sul da Ásia do Atlantic Council e na academia militar de West Point.

- Aumento da violência -

Os especialistas temem que ao final o método Trump leve a um aumento do caos no Afeganistão em prejuízo dos civis, já muito afetados.

O número de civis mortos atingiu um máximo desde o início das estadísticas, em 2009. No primeiro semestre de 2017, morreram 1.662 pessoas e mais de 3.500 ficaram feridas, segundo a ONU.

Além disso, mais de 2.500 militares e policiais afegãos perderam a vida em atos violentos este ano.

"Pode ser que os talibãs, sobretudo os mais extremistas, reajam com ataques espetaculares em Cabul ou Kandahar para lançar a mensagem 'Podem enviar mais tropas mas somos nós os que temos influência neste momento'", afirma Garth Pratten, professor da Universidade Nacional da Austrália.

Os próprios talibãs reagiram rapidamente ao anúncio americano e prometeram-lhes um "novo cemitério" se se empenharem a seguir no país.

A estratégia americana aponta a uma maior pressão militar para convencer os talibãs de que não podem ganhar no terreno e obrigá-los a negociar, como sugeriu Trump.

Mas muitos afegãos desejam que Washington não se limite a ajudar o Exército afegão, mas que também pressione as autoridades a lutar contra a corrupção e a reforçar as instituições.

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AFP