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Policiais investigam cena de crime onde um jornalista mexicano foi morto com um tiro em LaPaz, no estado de Baja Califórnia, em 14 de abril de 2017

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O México foi em 2016 o segundo país com o maior número de assassinatos, superado apenas pela Síria, que vive uma guerra civil, informou nesta terça-feira o Instituto de Estudos Estratégicos (IISS) em seu relatório anual.

"Os homicídios dolosos no México em 2016 foram 23 mil", algo superado apenas pelas 60 mil mortes na Síria, que vive uma guerra civil, escreveu Antonio Sampaio, especialista da IISS, organização especializada em Defesa e conflitos com sede em Londres.

"É muito raro que a violência criminal alcance os níveis de um conflito armado, mas é o que ocorre no Triângulo Norte da América Central (Honduras, Guatemala e El Salvador) e, especialmente, no México".

Nos três países centro-americanos citados, o número total de assassinatos foi de 16 mil.

O relatório constata uma redução nas taxas de homicídio nos três países centro-americanos, mas não no México, onde ocorreu um aumento de 11% entre 2015 e 2016.

A origem de tal violência remonta à decisão do presidente Felipe Calderón de declarar, em dezembro de 2006, à guerra ao tráfico de drogas com o envolvimento do Exército: "o conflito resultante trouxe a miséria ao México", segundo Sampaio.

O aumento da violência constatado no último ano foi motivado pela corrida armamentista entre os carteis, com "os grupos criminosos buscando instrumentos mais efetivos de intimidação contra seus adversários e o Estado", explicou Sampaio.

"O objetivo destas quadrilhas é a autonomia sobre territórios urbanos e atividades econômicas ilícitas, como o tráfico de cocaína, a produção de heroína e, cada vez mais, os laboratórios de drogas sintéticas".

Tudo isto tendo como pano de fundo a "debilidade institucional e a corrupção generalizada que tem infestado o Estado mexicano".

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