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Indígenas da tribo Tohono O'odham no dia 25 de março de 2017, no Arizona

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O governo mexicano e a tribo indígena Tohono O'odham, que vive em uma zona desértica entre México e Estados Unidos, apresentaram à CIDH uma petição contra o muro fronteiriço que o presidente americano, Donald Trump, planeja construir.

As duas partes apresentaram na sexta-feira "uma petição ante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a fim de deter a construção do muro fronteiriço", informou um comunicado divulgado neste sábado pela liderança indígena.

O polêmico muro com o qual Trump promete deter imigrantes ilegais, criminosos e drogas afetaria uma área entre o estado mexicano de Sonora e o americano Arizona.

No passado, o território pertencia inteiramente ao México, mas foi dividido depois da guerra de 1847 com os Estados Unidos. No entanto, os Tohono O'odham transitam livremente por ele graças a um acordo bilateral.

A petição perante a CIDH pede o respeito de diferentes instrumentos internacionais, sobretudo o artigo 36 da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

"Os povos indígenas, particularmente aqueles que estão divididos por fronteiras internacionais, têm o direito de manter e desenvolver os contatos, as relações e a cooperação (...) através das fronteiras", cita o comunicado.

Ao apresentar a petição perante a CIDH, a governadora tradicional da comunidade indígena, Alicia Chuhuhua, explicou que o muro "destruiria o ecossistema tão importante para os membros de sua tribo".

Por sua vez, Jaime Martinez Veloz, comissário do governo mexicano para o diálogo com os povos indígenas, destacou que, se os Estados Unidos violarem os instrumentos no tema, "não seria apenas um golpe para a etnia, mas também para o direito internacional e as Nações que integram a OEA e a ONU".

Os Tohono O'odham se pronunciaram contra o muro de Trump e na semana passada a AFP acompanhou uma cerimônia na qual com danças e canções ancestrais invocaram o seu totem, a águia.

Cerca de 3.000 tohonos vivem na região, a grande maioria do lado americano e, embora eles possam transitar livremente pela fronteira, seus movimentos foram limitados nos últimos anos por uma cerca fronteiriça já existente.

Há alguns anos, a tribo cruzava por nove portões fronteiriços ao longo de 120 quilômetros, mas agora só resta um.

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