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México bate recorde de homicídios em 2018

Policial e moradores observam uma casa de Ciudad Juárez, Chihuahua, onde uma família foi assassinada afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 21. janeiro 2019 - 18:20
(AFP)

A cifra de homicídios no México disparou a 33.341 em 2018, a mais alta desde que começaram a fazer os registros, em 1997, segundo informação oficial divulgada nesta segunda-feira (21).

O nível anterior mais elevado de violência havia sido registrado em 2017, com 28.866 vítimas de homicídio doloso.

O número de homicídios no México cresceu de forma notável desde que, no final de 2006, o governo do então presidente Felipe Calderón (2006-2012) lançou uma polêmica ofensiva militar contra o crime organizado.

Durante o governo de seu sucessor, Enrique Peña Nieto (2012-2018), as cifras de homicídio continuaram aumentando, e em dezembro do ano passado, o primeiro mês da administração de Andrés Manuel López Obrador, foram registradas 2.842 vítimas de homicídio, um aumento de quase 10% em relação ao mesmo mês de 2017.

Em 2018, vários estados do país, atingidos pela violência ligada ao crime organizado, tiveram altos índices de homicídios a cada 100.000 habitantes.

A cifra mais alta foi em Colima, no Pacífico mexicano, com 81,09 homicídios a cada 100.000 habitantes, muito próximo dos 83 homicídios a cada 100.000 habitantes registrados em El Salvador, que tem a cifra mais alta do mundo.

Colima foi seguido por Baja California, no nordeste do país, e pelo estado de Guerrero, no sul.

Os governos do México foram mudando a forma de medir os homicídios desde 1997. Durante a administração de Peña Nieto, os dados foram separados para especificar, por exemplo, investigações iniciadas e número de vítimas.

- Polêmica guarda nacional -

Os especialistas atribuem a escalada de homicídios ao desajuste no trabalho dos corpos de segurança do país.

"Acho que o Exército ficou muito paralisado nas operações contra o narcotráfico pela questão do temor de ser acusado de violação aos direitos humanos", afirmou à AFP Raúl Benítez, especialista da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

O ex-agente da DEA Mike Vigil, por sua vez, explica que a espiral violenta também obedece aos confrontos entre diversos grupos do crime organizado no país.

"Trata-se do conflito entre os grupos do narcotráfico, o conflito estre o cartel Jalisco Nueva Generación e o cartel de Sinaloa", disse.

"Mas, além disso, há muitos grupos do narcotráfico que estão tentando ganhar mais território, ganhar mais poder e passar de um grupo criminoso normal para um grupo transnacional", acrescentou.

A estratégia do atual governo para enfrentar a violência implica a criação de uma nova guarda militarizada, cuja criação foi aprovada pela Câmara de Deputados, e gerou fortes críticas de opositores e organizações em defesa dos direitos humanos.

Os críticos dizem que o uso das forças armadas gerou mais violência e violações aos direitos humanos.

O governo também analisa descriminalizar a maconha e a papoula, usada como precursor da heroína, mas também um poderoso sedativo.

Mais de 200.000 pessoas morreram de forma violenta no México desde o lançamento da operação do governo contra o crime organizado em 2006, de acordo com cifras oficiais que, contudo, não detalham quanto casos estariam ligados ao crime organizado.

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