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Socorristas removem escombros de um prédio que desabou na capital mexicana

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Os trabalhos de resgate prosseguiam sem descanso na capital e nos estados centrais do México, nesta quarta-feira (20), em busca de sobreviventes sob os escombros de edifícios que desabaram após o terremoto devastador da véspera.

De acordo com último boletim divulgado pelo diretor da Defesa Civil, Luis Felipe Puente, o número de óbitos agora chega a 225: 94 na Cidade do México, 71 em Morelos, 43 em Puebla, 12 no estado do México, quatro em Guerrero e um em Oaxaca.

Entre os mortos, há uma panamenha, confirmou o governo desse país centro-americano.

Muitos moradores da capital não dormiram, com medo de um tremor secundário forte e à espera dos resgates.

Após o sismo de 7,1 graus de magnitude ocorrido ontem, 22 já foram registradas - a maior delas de magnitude 4. Em meio à destruição, as autoridades pediram aos moradores de edifícios com danos que tomem precauções.

"Se não se sentem seguros, a recomendação é não ficar em casa", advertiu o diretor do Centro Nacional de Prevenção de Desastres (Cenapred), Carlos Valdés.

Já ao amanhecer, centenas de voluntários voltaram a se somar aos trabalhos de remoção de escombros e de apoio ao translado de ajuda para os desabrigados.

O prefeito da capital, Miguel Ángel Mancera, atualizou o número de prédios que desabaram, agora em 39 - abaixo dos 45 inicialmente relatados. Segundo ele, os trabalhos de resgate continuam, salvo em cinco imóveis, onde já se confirmou não haver pessoas presas.

"Em todos os demais, absolutamente todos, estamos com um protocolo de busca de pessoas", garantiu Mancera, em entrevista à rede local Televisa.

Ele destacou que pelo menos 40 pessoas foram resgatadas de dois dos edifícios destruídos e que cerca de 600 construções serão revistas para verificar o estado de sua estrutura.

Os resgates se concentravam na zona sul e no corredor Roma-Condesa, área nobre da capital conhecida por seus bares e restaurantes e onde moram muitos estrangeiros.

- Tamales e café -

Em um bairro de classe média onde um prédio residencial desabou, moradores, soldados e voluntários estão na expectativa de que os socorristas encontrem sobreviventes, antes de demolir as ruínas com maquinário pesado.

Enquanto isso, voluntários ofereciam café e tamales como café da manhã aos membros das equipes de resgate.

"Nos desalojaram às seis da manhã. Vão entrar com o maquinário pesado, e o movimento da máquina pode derrubar o prédio do lado", disse Daniel Rebollo, de 32, morador da região.

A energia elétrica foi restabelecida em 85% da capital mexicana, mas a companhia estatal mantém cortes de luz nas zonas que concentraram o maior número de desabamentos e onde ainda se realizam os trabalhos de resgate.

Nos estados de Puebla e Morelos, epicentro do sismo, as operações também continuam. Em Morelos, segundo em número de vítimas, os graves danos materiais são um grande desafio.

"É preciso reconstruir parte importante da cidade de Jojutla, que foi destruída", disse à emissora local o governador Graco Ramírez.

- Uma nuvem de poeira -

Na capital, a maior tragédia foi o desabamento da escola Enrique Rebsamen, localizada no extremo sul da cidade.

"Temos 26 mortos, dos quais cinco são adultos e 21 crianças. Temos 11 crianças resgatadas, e o número de pessoas presas oscila entre 30 e 40", disse José Luis Vergara, oficial do Exército que coordena o resgate, ao canal Televisa.

Com o apoio de civis e de socorristas, militares trabalhavam com a luz de geradores. As buscas seguiam complicadas, porque a escola - que, de três andares, foi reduzida a apenas um - ameaçava desabar por completo a qualquer momento. O clima é de grande apreensão entre os pais, à espera de notícias dos filhos.

- Solidariedade internacional -

Grande parte da cidade não descansou durante a madrugada. Caminhões de carga circulavam pelas ruas com água, alimentos, medicamentos e outros produtos de primeira necessidade. Os socorristas caminhavam com pás pelas áreas mais afetadas.

Nos parques públicos da área de Roma-Condesa, foram criados acampamentos que distribuíam ajuda para voluntários e desabrigados. Muitas pessoas dormiram nas ruas.

As aulas na capital e nos estados afetados foram suspensas até nova ordem, enquanto prédios públicos devem trabalhar apenas com funcionários essenciais.

O presidente Enrique Peña Nieto divulgou uma mensagem durante a madrugada com um pedido de calma.

"Na medida do possível, a população deverá permanecer em suas casas, desde que esteja segura, e evitar congestionar as ruas por onde devem transitar os veículos de emergência", disse.

Ao término da audiência geral desta quarta-feira no Vaticano, o papa Francisco manifestou sua solidariedade aos mexicanos.

"Neste momento de dor, quero manifestar minha proximidade e oração a toda querida população mexicana", declarou Francisco, em espanhol.

A União Europeia também expressou suas condolências e ofereceu ajuda de emergência.

Na Assembleia Geral da ONU, o chanceler mexicano, Luis Videgaray, tomou a palavra para agradecer e para informar que a ajuda internacional está a caminho.

O México fica entre cinco placas tectônicas e é um dos países com maior atividade sísmica no mundo.

Em 7 de setembro, um terremoto de magnitude 8,1, o mais forte em um século no México, deixou 96 mortos e mais de 200 feridos no sul do país, especialmente nos estados de Oaxaca e Chiapas.

Em 19 de setembro de 1985, a capital ficou parcialmente destruída por um terremoto de 8,1 graus que deixou mais de 10.000 mortos.

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AFP