AFP

(Arquivo) O presidente francês, Emmanuel Macron

(afp_tickers)

O novo presidente da França, Emmanuel Macron, revelou nesta quarta-feira uma equipe de governo paritária, composta por figuras políticas de esquerda, direita e centro, assim como membros provenientes da sociedade civil.

O presidente mais jovem da história da França, de 39 anos, pretende realizar uma revolução política, com um governo heterogêneo.

Deu seu primeiro passo na segunda-feira com a nomeação para o cargo de primeiro-ministro de Edouard Philippe, um conservador moderado do partido de direita Os Republicanos.

Entre os 18 ministros de seu governo figuram sete socialistas, três centristas e dois conservadores. Os demais são provenientes da sociedade civil.

Além disso, seu gabinete respeita a paridade de gênero, com onze mulheres e onze homens.

O prefeito de Lyon, Gérard Collomb, um dos primeiros apoios do jovem presidente e membro do Partido Socialista (PSF), foi nomeado ministro do Interior, um posto chave em um país em estado de emergência após uma onda de atentados extremistas que deixou 239 mortos.

Outro peso pesado do PS, Jean-Yves Le Drian, que foi ministro da Defesa sob a presidência de François Hollande (2012-2017), ocupará a pasta das Relações Exteriores.

A eurodeputada centrista Sylvie Goulard foi nomeada ministra da Defesa, enquanto o veterano centrista François Bayrou, que deu seu apoio a Macron durante a campanha eleitoral, estará a cargo do ministério da Justiça.

Bruno Le Maire, do partido de direita Os Republicanos, dirigirá o ministério da Economia, um posto chave, já que a França pode se converter em 2018 no único país da Eurozona a registrar um déficit superior a 3% de seu PIB.

- Membros da sociedade civil -

Macron deseja criar uma nova força centrista, às custas dos partidos tradicionais de esquerda e de direita, que será colocada à prova nas eleições legislativas de junho.

Sem uma maioria parlamentar, ele terá dificuldade para aplicar sem freios seu ambicioso programa de reforma do mercado de trabalho e de saneamento das contas públicas.

Macron, que nunca antes havia ocupado um cargo eletivo, também cumpriu com sua promessa de renovação política nomeando várias pessoas provenientes da sociedade civil.

Além do conhecido defensor do meio ambiente Nicolas Hulot, no novo governo também figurará a campeã olímpica de esgrima Laura Flessel e a editora Françoise Nyssen.

Emmanuel Macron deveria ter anunciado o governo na terça-feira, mas adiou o pronunciamento em 24 horas para verificar que todos os membros potenciais de sua equipe fossem pessoas irrepreensíveis.

A situação fiscal de cada um dos membros de sua equipe, assim como a existência de potenciais conflitos de interesse, foram verificados minuciosamente.

Além disso, todos deverão se comprometer, depois de tomarem posse, a exercer suas funções de maneira ilibada.

Macron quer evitar a qualquer custo cometer os mesmos erros de seu antecessor, o socialista François Hollande, cujo mandato esteve marcado pelo escândalo de evasão fiscal de seu ministro de Orçamento, Jerôme Cahuzac.

- Reunião com Tusk -

O jovem chefe de Estado, que iniciou seu mandato de cinco anos com uma visita na segunda-feira a Berlim, onde se reuniu com a chanceler Angela Merkel, na noite desta quarta-feira se encontrará em Paris com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Tusk foi um dos primeiros responsáveis europeus a felicitar Macron por sua vitória sobre a candidata de extrema-direita Marine Le Pen em 7 de maio.

Macron planeja visitar nos próximos dias as tropas francesas no Mali. Em 25 de maio almoçará com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Bruxelas, no âmbito da cúpula da Otan, antes de participar da cúpula dos países do G7 na Sicília, Itália, em 26 e 27 de maio.

AFP

 AFP