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Macron durante debate contra Marine Le Pen, em 3 de maio de 2017, em Plaine-Saint-Denis

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Um dia antes de o presidente eleito, Emmanuel Macron, assumir o cargo, seu movimento e o da esquerda radical convocaram neste sábado seus candidatos às legislativas de 11 e 18 de junho, apostando nos rostos novos.

Neste sábado, na véspera da transferência de poder no Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa, entre o socialista François Hollande e seu ex-ministro da Economia, os candidatos de seu movimento "trabalhavam sobre como fazer campanha" em um museu parisiense, a portas fechadas.

Uma espécie de seminário de formação, já que a metade deles, procedentes da sociedade civil, não têm experiência política. Devem absorver o ABC da maratona que lhes aguarda e aprender sobre questões técnicas e financeiras.

Segundo os tuítes de seus apoios, o jovem presidente centrista foi acolhido triunfalmente pelos candidatos, a quem disse: "São os novos rostos da política francesa". "Têm uma responsabilidade imensa", ressaltou o líder do A República em Marcha (LRM), acrescentando: "Estamos condenados a ter êxito!".

Por sua vez, o movimento França Insubmissa, do ex-candidato da esquerda radical à presidência Jean-Luc Mélenchon, reunia na tarde deste sábado 1.500 pessoas na região parisiense, de candidatos ou suplentes a diretores de campanha, entre outros.

O França Insubmissa também optou pela renovação ao apresentar políticos não profissionais, como o humorista Gérald Dahan, a campeã mundial de kick-boxing Sarah Soilihi ou o jovem advogado Juan Branco, defensor do WikiLeaks, e o jornalista e diretor François Ruffin.

O chefe do movimento, Jean-Luc Mélenchon, que reuniu 19,58% dos votos no primeiro turno das presidenciais, quis mobilizar suas tropas para se tornar o primeiro partido da oposição a Emmanuel Macron.

O próprio Mélenchon anunciou sua candidatura em Marselha (sudeste) para as legislativas, com o objetivo de "não apenas enfraquecer, mas substituir o partido socialista" como principal força da esquerda, disse.

Para as legislativas, o movimento de Emmanuel Macron tirou da esquerda suas primeiras nomeações, com 22 deputados provenientes deste grupo, embora também espere convencer políticos da direita.

Até o momento, ficam vagas cerca de 150 circunscrições, que podem ser atribuídas aos que, tanto no Partido Socialista (PS) quanto no Os Republicanos (LR, conservadores), forem compatíveis com o projeto presidencial.

"Tenta nos matar, como está fazendo com o PS", declarou preocupado um estrategista do LR neste sábado no jornal Le Parisien.

Na direita, alguns podem se sentir tentados a esta nova aventura. Um "sinal", segundo um apoio conservador de Macron, será o anúncio, no início da semana, da composição do governo, que deve incluir ministros de direita.

A cerimônia de posse começará no domingo às 10h00 (05h00 de Brasília) no Eliseu com uma reunião com François Hollande no salão presidencial, seguida de um discurso de Emmanuel Macron.

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