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O presidente francês, Emmanuel Macron, em Paris, em 3 de junho de 2017

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As negociações do Brexit começarão na próxima semana, como previsto - garantiu a premiê britânica, Theresa May, nesta terça-feira à noite (13) em Paris, acompanhada do presidente francês, Emmanuel Macron, que anunciou "um plano de ação" conjunto e "muito concreto" para reforçar a luta antiterrorista.

Este último tema foi o pano de fundo da noite de May e Macron, que assistiram a um amistoso de futebol entre suas respectivas seleções nacionais, precedido por uma homenagem às vítimas dos atentados de Londres e Manchester.

"O calendário para as negociações sobre o Brexit se mantém, e elas começam na próxima semana", declarou May em entrevista coletiva conjunta com seu anfitrião, nos jardins do Eliseu, o Palácio presidencial francês.

Já o presidente francês declarou que "a porta continua aberta" para que o Reino Unido permaneça na União Europeia, "enquanto não terminar a negociação sobre o Brexit".

Macron ressaltou, contudo, que "uma vez iniciado será mais difícil voltar atrás" e que se deve "respeitar a vontade do povo britânico".

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, já havia se pronunciado nesse mesmo sentido hoje.

Ao ser questionada sobre se seu enfraquecimento político pós-eleitoral a faria retomar a hipótese de um "Brexit duro", May afirmou que há "uma vontade comum no povo britânico, já que votou para deixar a UE, de que seu governo faça isso e faça disso um sucesso".

Esse processo levará a "um arranjo, em relação ao Brexit, que servirá aos interesses do Reino Unido e dos 27 membros da União Europeia", completou a premiê.

- Radicalização na Internet

Evocando a cooperação antiterrorista, alguns dias depois dos atentados de Londres e de Manchester, Macron disse trabalhar com May "há vários dias" em um "plano de ação muito concreto", visando, em especial, a "reforçar as obrigações das operadoras de Internet para suprimir conteúdos que promovam o ódio".

Em reunião na Sicília, no fim de maio, os membros do G7 assinaram uma declaração comum sobre o terrorismo, que acentuava a pressão sobre os grandes grupos de Internet para que lutem mais contra os conteúdos radicais. A declaração atendeu a um pedido da Grã-Bretanha.

"Decidimos juntos ir mais longe", afirmou Macron.

"Há algumas semanas que vemos que é nas duas primeiras horas depois de um atentado que 50% dos espíritos que podem ser manipulados são atingidos", afirmou May, defendendo, então, que as operadoras devem "tomar medidas para agir nas 48 horas".

É necessário que, "em condições que preservem a confidencialidade, os aplicativos de mensagens não sejam ferramentas dos terroristas", insistiu a premiê.

"Lançamos uma campanha conjunta anglo-francesa para fazer de uma maneira que a Internet não possa servir de lugar seguro para os criminosos e os terroristas e de um lugar para postar materiais visando à radicalização e que levam a tanto mal", declarou May.

Um ponto "crucial" nesse projeto será refletir sobre a possibilidade de processar as operadoras "se não fizerem o que for necessário para retirar esses conteúdos inaceitáveis".

Na sequência, Macron e May assistiram a um amistoso de futebol entre suas respectivas seleções nacionais, no Stade de France, perto de Paris.

Em novembro de 2015, quatro dias depois dos atentados de Paris e do Stade de France, um amistoso programado contra a Inglaterra foi mantido. Em Wembley, o público inglês homenageou as vítimas de Paris, cantando o hino francês.

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