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O novo presidente da França, Emmanuel Macron, em Paris, em 10 de maio de 2017

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O jovem presidente centrista Emmanuel Macron, que assume oficialmente suas funções no domingo, enfrenta as primeiras tensões dentro do seu próprio campo, enquanto se aproxima a batalha decisiva das legislativas francesas em junho.

Essa votação deve ser o primeiro sinal forte da renovação defendida pelo presidente de 39 anos, eleito em 7 de maio e a apresentação de uma lista de candidatos paras as legislativas precisa encarnar a mudança e o equilíbrio entre esquerda e direita.

Mas o anúncio do primeiro contingente de 428 aspirantes a deputado de um total de 577 que o movimento presidencial "A República em marcha" deve apresentar antes do registro legal das candidaturas em 19 de maio foi obscurecido por erros e críticas feitas por um importante aliado do presidente, o centrista François Bayrou.

"A lista publicada é a do movimento político Em marcha!, não é a mesma que o MoDem deu seu parecer favorável", disse à AFP o presidente do MoDem, único partido francês com o qual Macron selou um acordo político durante a campanha presidencial.

Bayrou, de 65 anos, que se reúne nesta sexta-feira com o seu partido, espera que "uma manobra permita nomeações conjuntas em todos os círculos eleitorais, como Emmanuel Macron e eu acordamos desde o primeiro dia".

Para o jornal econômico Les Echos, "o dia de nomeações se transformou num brutal terremoto. François Bayrou, o aliado que lhe permitiu disparar nas pesquisas, causado sua primeira crise".

Nesta sexta-feira, o secretário-geral do partido do presidente, Richard Ferrand, assegurou seu aliado, dizendo que tudo iria "correr bem" para as legislativas. "Continuamos a caminhar juntos", insistiu.

- Enredado -

Esta disputa se soma à polêmica da integração ou não do ex-primeiro-ministro socialista Manuel Valls dentro da maioria presidencial, que tem sido utilizada pela direita que procura se reconstruir depois de uma eleição presidencial desastrosa.

"Macron está totalmente enredado neste caso das nomeações e não sabe como sair", atacou Christian Jacob, líder dos deputados do partido de direita Os Republicanos (LR).

"É uma atitude (...) de pequenos políticos, essa é a realidade", disse ele, acrescentando: "Honestamente (...), por trás dele há um grande número de blefes, de pequenos truques".

Enquanto alguns Republicanos são seduzidos por Emmanuel Macron e que nomes de suas fileiras são mencionados para o cargo de primeiro-ministro, o partido de direita deve cerrar fileiras para tentar um bom resultado nas legislativas, evitando uma marginalização.

Assim, também denunciou o número de ex-deputados do Partido Socialista entre os candidatos de Emmanuel Macron. "É uma operação de reciclagem do Partido Socialista", denunciou o líder do partido, François Baroin, apontando por exemplo a nomeação do assessor de imprensa de François Hollande, Gaspard Gantzer, como um candidato na Bretanha (oeste).

Um total de 22 deputados da antiga maioria, incluindo 16 do PS, estão na lista divulgada na quinta-feira.

Eles aparecem ao lado de recém-chegados na política, como o matemático Cédric Villani, a torera Marie Sara ou ainda dois ex-juízes. O presidente do Rugby Club Toulon, Mourad Boudjellal, faz parte dos dezenas de erros de comunicação cometidos pela equipe de Macron durante o anúncio.

Emmanuel Macron assume oficialmente suas funções no domingo, durante uma cerimônia de possa com o atual presidente François Hollande, depois da qual poderia anunciar o nome de seu primeiro-ministro.

Ele irá realizar na segunda-feira sua primeira viagem ao exterior, ao se reunir em Berlim com a chanceler alemã, Angela Merkel.

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