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Richard Ferrand, secretário-geral do partido A República Em Marcha, durante coletiva em Paris, em 11 de maio de 2017

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O movimento do presidente eleito da França, Emmanuel Macron, revelou nesta quinta-feira uma lista paritária de mais de 400 candidatos às legislativas de junho, dos quais mais da metade não tem experiência política.

Macron, um centrista pró-europeu de 39 anos, ganhou no domingo as eleições presidenciais francesas com a promessa de "revolucionar" a política com novos rostos.

Seu movimento, A República Em Marcha, criado há apenas 13 meses, revelou uma primeira lista de 428 candidatos que se apresentarão às eleições legislativas em dois turnos, de 11 e 18 de junho.

"Queremos construir uma maioria de troca e obter a maioria absoluta nas legislativas", declarou o secretário-geral do movimento, Richard Ferrand, em uma coletiva.

Macron prometeu rejuvenescer a classe política, incorporando candidatos provenientes da sociedade civil, incluindo empresários, ativistas e acadêmicos.

"Cumprimos com a promessa de renovação", declarou Ferrand em coletiva. A idade média dos candidatos é de 46 anos, diante da média atual na Assembleia Nacional de 60 anos.

A lista respeita também uma paridade de gênero "real", com 214 candidatos mulheres e 214 homens.

Enquanto o ex-primeiro-ministro socialista Manuel Valls, que se postulou como candidato da maioria presidencial, o movimento decidiu não referendá-lo, mas não apresentará outro candidato contra ele em sua circunscrição.

Valls não corresponde aos critérios de nomeação já que "desempenhou três mandatos parlamentares", mas "não referendaremos nenhum candidato contra ele", disse o porta-voz.

"Não fecharemos a porta para um ex-primeiro-ministro que nos diz 'tenho vontade de me unir a vocês e ser útil'", justificou Ferrand.

Manuel Valls "saudou" esta decisão e afirmou em um comunicado que se apresentará como um "homem livre" em sua circunscrição.

- Uma toureira e um matemático -

Emmanuel Macron, com apenas dois anos de experiência de governo, assumirá no domingo a presidência da França depois de ter vencido as eleições contra a ultradireitista Marine Le Pen com 66,1% dos votos.

Para poder aplicar suas ambiciosas reformas sobre emprego e educação, este jovem europeísta, que não conta uma maquinaria partidária ou experiência eleitoral, precisa obter a maioria nas eleições legislativas do próximo mês.

Vários de seus candidatos, entre os quais destacam-se magistrados, uma toureira e um matemático, enfrentarão políticos experientes com longas carreiras.

O movimento recebeu mais de 19.000 solicitações enviadas on-line desde janeiro.

Ferrand indicou que cada candidato foi entrevistado e declarou não ter antecedentes criminais.

"Nosso movimento fez todo o possível para assegurar que os candidatos escolhidos respeitam nossos valores", apontou.

A batalha das legislativas será essencial para os próximos anos de Macron no governo.

"Tudo dependerá das legislativas e de se Emmanuel Macron conseguirá ter uma maioria coerente na Assembleia Nacional, e isso não está absolutamente garantido", comentou o cientista político Luc Rouban.

O projeto do novo presidente eleito poderia tropeçar em outros obstáculos, como as objeções de seu aliado centrista, o partido MoDem, comandado pelo veterano político François Bayrou.

A lista d'A República Em Marcha não conta com "a aprovação" do MoDem, advertiu Bayrou, que explicou que ambas as formações tinham um pacto a ser respeitado, sem dar mais detalhes.

Macron, um ex-banqueiro com pouca experiência política, deve tomar outras decisões difíceis esta semana.

A mais importante delas é a escolha de seu primeiro-ministro, que comandará o governo até, pelo menos, as eleições legislativas.

Esta escolha enviará um forte sinal sobre as intenções de Macron, que deseja ampliar sua base.

A contundente vitória deste jovem, que há três anos era um desconhecido, provocou uma onda de choque nos partidos tradicionais.

Seguindo os passos de Macron que se impôs fora dos partidos tradicionais, o candidato socialista à presidência Benoît Hamon anunciou a criação de um movimento "transpartidário" para tentar "reconstruir a esquerda" depois de sua derrota nas eleições.

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