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Os presidentes francês (e) e russo chegam ao Palácio de Versalhes

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O presidente francês, Emmanuel Macron, recebeu nesta segunda-feira o russo Vladimir Putin no Palácio de Versailles para um primeiro encontro, em que discutirão uma série de questões, incluindo os conflitos na Síria e na Ucrânia.

Após um aperto de mão caloroso no tapete vermelho no hall do castelo, os dois chefes de Estado se reuniram em um salão, antes de um almoço.

Os presidentes também deverão conceder uma coletiva de imprensa conjunta e inaugurar o evento que serve de pretexto para este encontro: uma exposição, intitulada "Pierre le Grand, un tsar en France" (Pedro o Grande, um czar na frança).

A exposição revive a memória da visita, marcada pelo estabelecimento das relações diplomáticas entre a França e a Rússia, em maio e junho de 1717 em Versalhes de Pedro I, um monarca caro a Putin.

O presidente russo também visitará, ao final da tarde, o novo Centro espiritual e cultural ortodoxo russo, com a sua catedral com abóbodas douradas, no coração de Paris.

Ele deveria tê-lo inaugurado em outubro de 2016, mas a escalada verbal entre Paris e Moscou, provocada pela campanha militar do regime sírio e seu aliado russo contra a parte rebelde de Aleppo (norte da Síria), resultou no cancelamento da viagem.

Para Emmanuel Macron, é necessário "falar com a Rússia" sobre a crise síria, a fim de "mudar o quadro para uma saída da crise militar" e "construir de forma mais coletiva uma solução política inclusiva".

O presidente francês considera que o Ocidente "fracassou" sobre esta questão, ao ser excluído do processo de cessar-fogo patrocinado pela Rússia, Irã e Turquia.

Da mesma forma, pretende discutir a questão ucraniana. "A Rússia invadiu a Ucrânia", lançou durante o G7 no último fim de semana, que evocou a possibilidade de novas sanções contra a Rússia, enquanto Moscou nega qualquer envolvimento no conflito.

- Aparar arestas -

Os dois chefes de Estado tentarão ainda aparar as arestas após a campanha presidencial francesa, marcada pela visita ao Kremlin da candidata da extrema-direita Marine Le Pen (Frente Nacional, FN) e os ataques cibernéticos visando o movimento político de Emmanuel Macron, Em Marcha!, atribuídos aos hackers russos.

A presidente da FN desejou, por sua vez, que reunião desta segunda-feira permita "normalizar as relações com a Rússia" para atender o enorme desafio das relações internacionais e "lutar contra o fundamentalismo islâmico".

"Pode-se imaginar que a conversa será muito franca e direta", Emmanuel Macron "não se proíbe a nada (..), incluindo (sobre) questões relativas às liberdades", advertiu nesta segunda-feira a ministra dos Assuntos Europeus, Marielle de Sarnez.

"Donald Trump, o presidente turco (Recep Tayyip Erdogan) e o presidente russo são adeptos de uma lógica de equilíbrio de força, o que não me incomoda", observou o presidente Macron, que prometeu um "diálogo exigente", "sem concessões".

O novo chefe de Estado francês, de 39 anos, garante que não deixára "nada passar" em suas conversas com os seus colegas e que se fará "respeitar".

Após a sua eleição, Vladimir Putin lançou um apelo para "superar a desconfiança mútua" em uma mensagem de felicitações.

Rompendo com a discrição observada por François Hollande sobre a questão dos direitos Humanos, o Palácio do Eliseu disse que a célula diplomática na presidência havia recebido várias ONGs para discutir a liberdade de associação na Rússia e a situação dos homossexuais na Chechênia.

A este respeito, a Anistia Internacional pediu a Macron que pressione o líder do Kremlin, denunciando a perseguição "com impunidade" de homossexuais na região do Cáucaso "com a bênção da autoridade russa."

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