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Homem participa de homenagem ao estudante Juan Pablo Pernalete - morto pelo impacto de uma bomba de gás durante um protesto contra o presidente Nicolás Maduro - em Caracas, em 27 de abril de 2017

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O porta-voz do governo espanhol lamentou nesta sexta-feira a situação "particularmente grave" vivida na Venezuela, com uma onda de protestos contra o governo de Nicolás Maduro que já deixou quase trinta mortos.

"A situação na Venezuela é particularmente aguda, se encontra em uma gravíssima crise econômica e social desde a vitória da oposição nas eleições legislativas de 2015", disse Íñigo Méndez de Vigo na coletiva de imprensa semanal do governo.

"Os venezuelanos exigem liberdade e democracia. O governo espanhol está com quem pede as medidas necessárias para que a democracia volte à Venezuela", acrescentou o porta-voz do governo conservador de Mariano Rajoy.

Mendez de Vigo também lamentou que Caracas tenha decidido abandonar a Organização dos Estados Americanos (OEA) depois que ela convocou uma reunião de chanceleres para avaliar a grave crise venezuelana.

"É uma má notícia que a Venezuela abandone a OEA", disse o porta-voz, celebrando, por outro lado, a resolução adotada na véspera pelo Parlamento Europeu condenando a "repressão brutal" no país sul-americano.

A Venezuela vive uma uma onda de manifestações desde 1º de abril, em protesto pela decisão do Tribunal Supremo de Justiça de assumir as funções do Parlamento, que degeneraram em algumas ocasiões em confrontos com as forças de segurança, distúrbios e inclusive saques.

Embora o tribunal tenha recuado em sua decisão após uma forte pressão internacional, a oposição busca a saída de Maduro do poder. As duas partes também se responsabilizam mutuamente pela violência que deixou até o momento ao menos 28 mortos, assim como centenas de feridos e detidos.

"Em uma democracia deve existir uma verdadeira separação de poderes. Nem se dispara contra os manifestantes, nem há presos políticos, nem se arma uma milícia, nem existe a repressão política", criticou Méndez de Vigo.

O governo espanhol, em tensas relações com seu colega venezuelano, afirmou em várias ocasiões nos últimos meses a libertação dos dirigentes opositores detidos no país.

Na quinta-feira, em uma coletiva de imprensa em Montevidéu junto ao presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, Rajoy pediu a realização de novas eleições na Venezuela.

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