Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Principais dados sobre a Catalunha, onde o parlamento regional começou a debater a lei com a qual quer convocar o referendo de independência da Espanha.

(afp_tickers)

Um muro de incompreensão política se ergue estes dias entre Barcelona e Madri. O referendo de independência, convocado pela Catalunha, elevou a tensão com o governo espanhol, mas também entre cidadãos da capital e da cidade mediterrânea.

Com uma bandeira da Catalunha colada no capacete, Joffre Vives estaciona sua moto junto às ruínas de Barcelona do século XVIII, um símbolo do separatismo deste região.

Seus dirigentes acabam de convocar um referendo de autodeterminação para 1º de outubro, combatido pelo Executivo espanhol e declarado inconstitucional pela Justiça. "Não nos deixam outra opção", assegura este chaveiro de 40 anos.

Perto dele veem-se as ruínas da cidade destruída após sua rendição às tropas do monarca espanhol Felipe V depois da Guerra de Sucessão, na qual os catalães se declararam fiéis a outro rei.

Escondidas durante séculos sob um mercado, foram recuperadas em 2014, coincidindo com os 300 anos dos atos em plena exaltação separatista.

"A incompreensão vem de longe. Não se esforçam para nos entender. Qualquer coisa que fazemos aqui é demonizada", acrescenta.

"Veja o que aconteceu com os touros: as corridas forma proibidas nas Canárias (arquipélago espanhol no Atlântico) e não aconteceu nada. Quando fizemos o mesmo aqui, foi um grande escândalo, um ataque à Espanha", lamenta.

Alguns metros à frente, enquanto fuma um cigarro, Daniel Blanquer tampouco se mostra otimista. "O diálogo já não serve para nada. Nos tratam como golpistas, e só queremos votar em um referendo".

"Apenas nos resta seguir em frente, tensionar a corda, porque eles não irão ceder", diz este arquiteto de 48 anos.

- Raiva em Madri -

A 625 quilômetros dali, a duas horas e meia de trem, as visões não são muito diferentes, embora no sentido contrário.

Alicia Heras passeia calmamente por uma tranquila praça do bairro madrilenho de Las Cortes, onde fica desde 1843 a Câmara dos Deputados. "Acredito que os catalães estão fazendo algo ridículo", critica.

Esta costureira aposentada de 63 anos afirma, na mesma linha do discurso do governo espanhol, que "a Constituição existe para ser seguida" e que um eventual referendo acordado deveria ser "para todos os espanhóis".

"Sentiria muita raiva se saírem porque todos ajudamos muito a conseguir o que eles têm agora", afirma em sua caminhada até o Paseo del Prado, que abriga o museu homônimo onde convivem pinturas de mestres catalães como Rusiñol e Prats com gênios espanhóis como Goya e Velásquez.

Antonio Palomares vai para casa após um longo dia de trabalho. "O governo catalão quer se separar sem contar com ninguém, inclusive com muitos dos catalães que vivem ali", afirma este analista de sistemas de 44 anos.

Tampouco tudo é complacência em Barcelona. "Vejo o panorama político e me decepciona. Só vão ao confronto e não pensam em políticas para unir a população", declara Pilar Reig, de 48 anos.

"Nunca gostei de fronteiras, de divisões. Agora a Catalunha se separa. E se depois o Val de Aran fizer o mesmo?", pergunta, referindo-se a um pequeno vale ao norte desta região com idioma e cultura próprios.

"Vão colocando fronteiras, e fronteiras, e mais fronteiras, para no fim ficarem sozinhos".

- "Viver em paz" -

A convocação do referendo pelo Executivo regional coincidiu com o 65º aniversário da madrilenha Francisca González de la Vega, uma aposentada de intensos olhos azuis e que trabalhou na indústria química.

Diante dos imponentes leões de bronze da Câmara dos Deputados, conta ter encarado a convocação "com tristeza, com muito interesse e desesperada".

Para esta habitante do tradicional bairro de Lavapiés, o governo de Mariano Rajoy deveria "dar às pessoas a oportunidade de se expressar". "A Catalunha quer sair da Espanha porque é adulta e, diante da corrupção em massa que temos na Espanha, é normal que queiram sair", aponta.

E diante deste descontentamento, Francisca afirma ter uma solução: "convidá-los (os catalães) para que venham a Madri e encher as ruas de Madri de bandeiras catalãs, convidá-los para que vejam que queremos o mesmo, queremos viver em paz, em tranquilidade, em harmonia".

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP