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Bandeira LGBT, no dia 22 de junho de 2017, em Madri

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Madri recebe, a partir de sexta-feira, o evento mundial mais importante de reivindicação do orgulho de ser lésbica, gay, bissexual ou trans (LGBT), a WorldPride, em uma Espanha na vanguarda da proteção da diversidade sexual.

A capital espanhola, de 3,1 milhões de habitantes, está aberta a todas as pessoas "sejam como forem, amem quem amem", afirmou Berta Cao, comissária da prefeitura de Madri para esta 5ª edição da WorldPride, após ser celebrada em Toronto em 2014 e antes de desembarcar em Nova York, em 2019.

Na preparação para receber dois milhões de visitantes até 2 de julho, Madri adaptou dezenas de semáforos para pedestres para que neles apareçam casais - homem-mulher, mulher-mulher e homem-homem.

A WorldPride coincidirá com a comemoração dos 40 anos da primeira manifestação pelos direitos homossexuais na Espanha, realizada em Barcelona em 1977.

Durante a ditadura do general Francisco Franco, de 1939 a 1975, a homossexualidade podia levar uma pessoa a um centro de reabilitação ou à prisão.

Antes disso, em 1901, duas professoras de escola se tornaram as primeiras espanholas a se casarem, embora uma delas tenha se passado por homem, recorda a exposição em Madri "Subversivas, 40 anos de ativismo LGTB na Espanha".

A mudança foi progressiva, à medida que se intensificava a luta pela diversidade, sobretudo no bairro de Chueca em Madri, palco de uma explosão das liberdades a partir da década de 1980.

O cineasta espanhol Pedro Almodóvar mostrou sem rodeios nos seus primeiros filmes uma mistura de personagens heterossexuais, homossexuais e trans.

- Matrimônio desde 2005 -

Há 12 anos, a Espanha se tornou o terceiro país a reconhecer o casamento de pessoas do mesmo sexo. Entre 2005 e 2015, foram realizados 35.300.

"Estamos mais protegidos, conseguimos praticamente a igualdade legal, e agora estamos melhor preparados para conseguir uma igualdade social, real", afirma o presidente da federação estatal de LGBT (FELGBT), Jesús Generelo.

Madri tem fama de ser acolhedora à comunidade LGBT. Mas entre 2015 e 2016, a Espanha registrou um aumento de 36% dos "delitos de ódio" ligados à orientação ou identidade sexual, que passaram de 169 a 230.

Em todo caso, "não houve nenhum WorldPride que tenha tido um apoio institucional tão enorme" quanto esta, comemora seu coordenador, Juan Carlos Alonso.

Madri quer que a "Marcha do Orgulho" de 1 de julho seja a maior já realizada durante uma Worldpride, em solidariedade a todas as pessoas LGBT discriminadas, detidas ou torturadas em diferentes países, principalmente na Chechênia, república russa do Cáucaso.

"Manifestem-se pelos que não podem na Rússia", onde é proibida a "propaganda" homossexual, pode-se ler em folhetos que convidam a publicar no Instagram uma foto da manifestação e geolocalizá-la na Praça Vermelha de Moscou.

Uma conferência internacional sobre direitos humanos reunirá 180 expositores, entre eles a ex-primeira-ministra islandesa Johanna Sigurdardottir, apresentada como a "primeira chefe de governo lésbica" do mundo e a salvadorenha de 25 anos Bianka Rodríguez, que denuncia que "em 2017 mais de 300 mulheres trans foram assassinadas na América Central".

Também está programada uma conferência de pessoas que vivem com Aids, que incluirá ativistas do Chile, Uganda e Armênia.

- Corrida de saltos -

Com excessos de todos os tipos até tarde da noite, as festas anuais do "Orgulho" são mais ou menos toleradas pelos habitantes do centro de Madri, que às vezes fogem das multidões e do barulho.

Mas a agenda também está repleta de atos culturais, como uma peça de teatro sobre a relação entre Federico García Lorca e o homem que foi seu último grande amor, antes do poeta espanhol ser executado, em 1936.

Na WordPride os adultos também poderão participar de um "campeonato de destreza e rapidez em colocar preservativos", ou votar em seu candidato favorito no concurso "Mister Gay".

Haverá, ainda, a "Corrida de saltos altos" animada por drag queens, que no ano passado foi vencida por um espanhol de peruca rosa, barba de três dias e saia amarela.

Tudo isso sob fortes medidas de segurança, ante as ameaças terroristas na Europa.

AFP