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O presidente catalão, Carles Puigdemont

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O governo espanhol recordou nesta segunda-feira ao presidente catalão, Carles Puigdemont, que restam três dias para evitar o risco de suspensão da autonomia de sua região, ao mesmo tempo em que criticou sua falta de clareza sobre se declarou a independência.

"O governo lamenta que o presidente da Generalitat tenha decidido não responder ao requerimento que foi apresentado pelo governo", disse em uma entrevista coletiva a vice-presidente Soraya Sáenz de Santamaría, reiterando que "apenas se pede e se pedia clareza".

Em uma sessão parlamentar confusa na terça-feira da semana passada, Puigdemont fez menção de declarar a independência ao afirmar que assumia o mandato do referendo, inconstitucional, de 1 de outubro - com taxa de participação de 43% e 90% de votos a favor da secessão -, mas disse que a proclamação ficava em suspenso para permitir o diálogo com Madri.

O presidente do governo espanhol, o primeiro-ministro Mariano Rajoy, respondeu com um requerimento para que Puigdemont esclarecesse formalmente se havia declarado a independência, com prazo até esta segunda-feira para uma resposta.

Este é o primeiro passo para a aplicação do Artigo 155 da Constituição, que permite ao governo central suspender a autonomia de uma região em caso de descumprimento da lei.

Em sua carta, Puigdemont evitou uma resposta direta e ofereceu dois meses de diálogo.

"O senhor Puigdemont tem uma oportunidade de retificar, de ser claro, de voltar à legalidade e de formular suas propostas onde a mediação reside em nosso país, no Congresso dos Deputados", afirmou Saénz de Santamaría.

Além da entrevista coletiva da vice-presidente, Rajoy escreveu nesta segunda-feira ao presidente catalão.

"Espero que nas horas que restam até o segundo prazo (...) responda com toda a clareza que todos os cidadãos exigem e o direito requer", escreveu o primeiro-ministro.

- A bola passa aos independentistas -

Puigdemont escreveu: "a prioridade de meu governo é buscar com toda a intensidade a via do diálogo" e "durante os próximos dois meses, nosso principal objetivo é começar a dialogar".

Apesar da divisão da sociedade catalã sobre o tema, as autoridades da região se respaldam no referendo de autodeterminação de 1 de outubro, que a justiça espanhola proibiu por considerar inconstitucional.

Apesar da votação não ter contado com as garantias habituais (sem comissão eleitoral nem a garantia do voto secreto), o governo catalão o considera válido.

Os setores mais radicais do independentismo não escondem a irritação com a suspensão da declaração de independência e voltaram a criticar Puigdemont.

Mireia Boya, deputada pelo partido independentista de extrema-esquerda CUP, com uma bancada de 10 representantes que é essencial no Parlamento regional para a sobrevivência do governo de Puigdemont, reiterou que é necessário declarar a independência para negociar "de igual para igual" com Madri.

"Nós afirmamos: negociar sempre, tudo, mas uma vez reconhecidos, uma vez que tenhamos declarado a República", disse Boya à rádio pública catalã.

- Pressão de todos os lados -

Puigdemont elaborou sua resposta sob grande pressão política, econômica, diplomática e judicial.

Nesta segunda-feira devem prestar depoimento na Audiência Nacional de Madri o chefe da polícia catalã, Josep Lluís Trapero, e dois líderes de associações independentistas, Jordi Sánchez e Jordi Cuixart.

Os três são acusados de "sedição", um crime que pode resultar em uma pena de até 15 anos de prisão.

Os dois líderes separatistas são acusados por um protesto em 20 de setembro em Barcelona, quando centenas de manifestantes impediram por várias horas a saída de guardas civis de um edifício do governo catalão após uma operação de busca.

No caso de Trapero, comandante dos Mossos d'Esquadra, a polícia catalã, a acusação de sedição diz respeito ao dia 1 de outubro.

De acordo com a Guarda Civil, que atuou com força para tentar impedir a votação, os Mossos d'Esquadra pecaram por inação.

A pressão econômica também é forte: diante da incerteza política, desde 2 de outubro 540 empresas iniciaram os procedimentos para retirar as sedes sociais da Catalunha.

Os principais líderes da União Europeia também se pronunciaram contra uma secessão unilateral, assim como vários países da América Latina.

Juan Rosell, empresário que preside a CEOE (Confederação Espanhola de Organizações Empresariais), pediu ao governo catalão que "retorne à legalidade".

Ele disse que nunca recebeu tantas ligações do exterior como nos últimos dias, "para saber o que está acontecendo, da parte de investidores internacionais que têm empresas muito importantes, e que estão na Catalunha, com uma preocupação máxima".

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AFP