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O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, durante Assembleia Geral da ONU, em Nova York, no dia 29 de setembro de 2015

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O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pediu nesta terça-feira ao mundo que fique "muito atento a qualquer tentativa de se violentar a vida política" de seu país nas eleições de dezembro próximo, durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas.

"Peço ao mundo que fique muito atento a qualquer tentativa de se violentar a vida política da Venezuela", disse Maduro em referência às eleições parlamentares previstas para 6 de dezembro.

Segundo Maduro, "tudo está preparado para que o sistema eleitoral venezuelano, que de acordo com o ex-presidente (americano James) Carter é o sistema mais transparente e completo que ele conhece no mundo, permita que se expresse a vontade do nosso povo".

Em seu discurso como presidente no plenário da Assembleia Geral, Maduro afirmou que a Venezuela vai "demonstrar" nestas eleições sua "vocação democrática e pacífica".

Nas eleições de dezembro para definir a composição da Assembleia Nacional, a oposição poderá ganhar a maioria legislativa, algo inédito em 16 anos de chavismo, segundo as pesquisas.

A Venezuela atravessa tensões políticas internas que se acentuaram com a condenação do líder opositor Leopoldo López, sentenciado a 13 anos e nove meses de prisão por incitar os protestos contra o governo de Maduro, que deixaram 43 mortos entre fevereiro e maio de 2014.

Maduro denunciou uma operação que "pretende fomentar conflitos nas fronteiras com Colômbia e Guiana", em referência à crise dos deportados e à disputa pela região de Esequibo, respectivamente.

"Definimos, com o presidente [da Colômbia] Juan Manuel Santos, um caminho para afastar as provocações, as ameaças e os ataques de paramilitares e narcotraficantes contra a Venezuela, e estamos realizando isto".

Em relação à Guiana, Maduro disse que "a diplomacia da paz nos permitiu canalizar, com sucesso, os passos para a reivindicação histórica que a Venezuela tem desde 1835", em referência ao acordo alcançado no domingo, em Nova York, com o presidente David Granger para o retorno dos embaixadores.

Segundo o presidente venezuelano, a ONU estabeleceu uma comissão técnica para abordar a disputa territorial entre os dois países.

Apesar das palavras de Maduro para desescalar o tom da disputa, o presidente Granger acusou a Venezuela, ante a Assembleia Geral nesta terça-feira, de ter "ambições expancionistas" e de pretender "desestabilizar a região".

"As ambições expancionistas da Venezuela não podem ser permitidas", disse Granger, denunciando "um caminho de intimidação e agressão.

Maduro reivindicou também a suspensão do decreto assinado em março passado pelo presidente Barack Obama, que qualifica a Venezuela de "ameaça" aos Estados Unidos.

"O decreto deve ser anulado porque ameaça minha pátria, ameaça nosso país", afirmou.

A medida de Obama impõe sanções a sete funcionários venezuelanos acusados de denunciar os direitos humanos.

Por fim, Maduro dedicou uma longa passagem de seu discurso à guerra civil na Síria, um "filme de terror", segundo ele, no qual as Nações Unidas "está em tempo de deter uma tragédia maior" após seus fracassos no Afeganistão, no Iraque e na Líbia em uma década e meia.

"As Nações Unidas devem acordar, devem reagir perante o drama da Síria", afirmou, em alusão ao conflito que dura mais de quatro anos e meio e custou a vida de 240.000 pessoas.

Neste âmbito, Maduro apoiou a "proposta" feita na segunda-feira na Assembleia geral da ONU pelo presidente russo, Vladimir Putin, para formar uma "ampla aliança" que inclua o regime do presidente Bashar Al Assad para combater os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI).

AFP