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Cidadãos colombianos deportados pela Venezuela aguardam para atravessar a fronteira na localidade venezuelana de La Fría em 29 de agosto

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou na segunda-feira à noite o fechamento de um novo trecho da fronteira com a Colômbia e o envio de mais 3.000 militares para a região, após anunciar que aceita a mediação de Brasil e Argentina na crise.

Em uma reunião com os ministros no Palácio de Governo, transmitida pela televisão ontem à noite, Maduro afirmou que o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, deve aceitar um diálogo sobre a situação fronteiriça.

Embora tenha declarado que está disposto a "apertar a mão" do colega colombiano, Maduro anunciou o aumento do número de militares venezuelanos na fronteira, com mais 3.000 homens em três municípios do estado de Zulia, além do fechamento da importante passagem de Paraguachón, no extremo norte da fronteira entre os dois países.

"Decidi proceder ao fechamento da passagem fronteiriça de Paraguachón, no estado Zulia", afirmou Maduro, ao mesmo tempo em que declarou estado de exceção nos municípios de Mara, Guajira e Almirante Padilla.

Nesta terça, o vice-presidente venezuelano, Jorge Arreaza, informou que a zona de Paraguachón permanece em "total tranquilidade" desde o anúncio e acrescentou que as autoridades permitirão a livre circulação pela fronteira dos wayuú, a tribo indígena que habita a região.

No estado venezuelano de Táchira, também na fronteira com a Colômbia, cerca de 5.000 homens já estão presentes desde meados de agosto, quando Maduro ordenou o fechamento unilateral da fronteira.

Caracas justificou a decisão do primeiro fechamento, ao alegar um ataque sofrido por militares venezuelanos durante uma operação de combate ao contrabando. Maduro atribuiu a ofensiva a "paramilitares colombianos".

O conflito aumentou quando os dois governos convocaram seus embaixadores para consultas, em meio à troca de acusações de violações dos direitos humanos das pessoas afetadas.

Segundo estimativas da ONU divulgadas nesta terça, cerca de 20.000 colombianos foram afetados pela atual crise fronteiriça com a Venezuela. Entre eles, há 1.467 deportados e mais de 18.000 que fugiram por medo de serem expulsos.

Nesse contexto de escalada, Santos e Maduro afirmaram que estão abertos à mediação dos vizinhos sul-americanos.

"Reitero minha disposição de me reunir com o presidente Maduro para que, por meio de um diálogo sério e respeitoso, possamos resolver os problemas da fronteira, que afetam tanto colombianos quanto venezuelanos", prometeu Santos em uma declaração dada após um conselho de ministros.

O colombiano disse que, na semana passada, conversou com o presidente do Uruguai, Tabaré Vásquez, e que ele se ofereceu para mediar o diálogo.

"Aceitei sua oferta e lhe comuniquei que estava disposto a que essa reunião fosse, inclusive, em Montevidéu, se ele considerar necessário", completou.

Já Maduro afirmou ontem que aceita a mediação dos governos do Brasil e da Argentina.

"Propuseram-me, em nome da presidente Dilma Rousseff e da presidente Cristina Fernández, uma reunião em Manaus, ou Buenos Aires, entre você e eu", disse, em uma mensagem a Santos.

Maduro confirmou que Uruguai e Equador também se ofereceram para facilitar a aproximação e o diálogo entre Caracas e Bogotá em uma crise, durante a qual o presidente venezuelano chegou a mencionar um plano colombiano para matá-lo.

Analistas políticos apontam, porém, que a tensão com o país vizinho tem como origem a baixa popularidade, a crise econômica e as pesquisas desfavoráveis ao governo de Nicolás Maduro diante da proximidade das eleições legislativas de dezembro.

A Venezuela deve reabrir sua fronteira com a Colômbia e propiciar o diálogo com seu vizinho para resolver a crise que já afeta cerca de 20.000 colombianos, declarou à jornalistas em São Paulo nesta terça-feira o ex-secretário geral da OEA José Miguel Insulza.

"A única possibilidade é que finalmente o governo da Venezuela aceite abrir a fronteira e se possa estabelecer com a Colômbia um diálogo para resolver os problemas que estejam pendentes", declarou o diplomata chileno.

"Sempre há queixas, críticas, problemas. Há contrabando, é uma fronteira onde sempre existe contrabando, mas creio que isto está muito relacionado à situação eleitoral na Venezuela", comentou Insulza.

Insulza lamentou que a Organização dos Estados Americanos (OEA) não possa enviar uma missão de observação eleitoral para as eleições, e estimou que um relatório da entidade daria "mais solidez ao processo".

Até agora, a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) é o único organismo internacional convocado pela autoridade eleitoral venezuelana como "acompanhante eleitoral", com limitadas funções.

Venezuela nega denúncias

O Defensor do Povo da Venezuela, Tarek William Saab, negou hoje, em Genebra, as acusações feitas por organizações humanitárias de que o país expulsou refugiados.

Ele admitiu que "imigrantes ilegais foram deportados", mas disse que o "tema dos direitos humanos é utilizado para mentir".

De acordo com Saab, "há narcotráfico, paramilitarismo e grupos organizados na Venezuela que se dedicam ao contrabando de gasolina e de produtos de extração, que são comprados a preço baixo na Venezuela pelos subsídios do governo e, depois, são vendidos a preços elevados na Colômbia".

"Pedimos que documentem os casos, mas lançam números genéricos para prejudicar a Venezuela. Não há um só caso de refugiado deportado. É preciso falar a verdade e, sobre mulheres violentadas, tampouco há provas", insistiu.

Colômbia e Venezuela compartilham uma fronteira porosa de 2.219 km, com denúncias de uma intensa atividade de grupos criminosos que lucram com o contrabando de combustível e outros produtos altamente subsidiados pelo governo de Caracas.

AFP