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Maduro assegura que impedirá o 'show' da ajuda humanitária

O presidente venezuelano Nicolás Maduro durante um discurso em Caracas, em 8 de fevereiro afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. fevereiro 2019 - 16:38
(AFP)

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, assegurou nesta sexta-feira que não vai permitir o "show" da ajuda humanitária, ao se referir ao carregamento que chegou na fronteira com a Colômbia a pedido do opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por cerca de 40 países.

"A Venezuela não vai permitir o show da ajuda humanitária falsa, porque não somo mendigos de ninguém", declarou Maduro em coletiva de imprensa.

Segundo Maduro, a "emergência humanitária é fabricada por Washington", que tem a intenção de "intervir" na Vezenuela.

Maduro atribui a escassez de alimentos e medicamentos que afeta seu país às sanções impostas pelos Estados Unidos.

"Liberem o dinheiro que bloquearam e sequestraram. É um jogo macabro: estão apertando nosso pescoço e nos fazendo pedir migalhas", denunciou.

Uma dezena de veículos carregados com medicamentos e alimentos chegou na quinta-feira na cidade de Cúcuta, na fronteira colombiana, onde foi instalado um centro de estocagem próximo à ponte internacional de Tienditas, bloqueada pelos militares venezuelanos com dois caminhões e uma cisterna.

"Não é nenhuma ajuda. É uma mensagem de humilhação para o povo, porque se quisessem ajudar deveriam cessar todas as sanções econômicas (...) O pacote é bonito por fora, de ajuda humanitária, mas por dentro tem veneno", ressaltou.

Guaidó anunciou que mais carregamentos chegarão nos próximos dias e que outros centros de coleta serão instalados no Brasil e em uma ilha caribenha a ser definida.

Guaidó insiste na importância da entrada de ajuda humanitária e reiterou seus apelos aos militares para que não a impeçam.

"Eles estão em um dilema: ou se colocam ao lado do povo que precisa de ajuda ou do lado da ditadura", disse ele.

O país produtor de petróleo, mergulhado na pior crise de sua história moderna, sofre uma severa escassez de produtos básicos e uma hiperinflação que o FMI estima em 10.000.000% em 2019.

Maduro aproveitou a ocasião para criticar a "parcialidade" do Grupo de Contato Internacional, que exigiu eleições presidenciais livres após uma reunião no Uruguai.

"Rejeitamos a parcialidade, o cunho ideológico do documento do Grupo de Contato, mas estou pronto e disposto a receber qualquer enviado" do bloco de países europeus e latino-americanos, ressaltou.

Oito países da União Europeia (UE) e três da América Latina (Costa Rica, Equador e Uruguai) comprometeram-se a trabalhar para "estabelecer as garantias necessárias para um processo eleitoral confiável no menor tempo possível", segundo o comunicado final do grupo.

O documento não foi assinado pelos outros dois participantes da reunião, Bolívia e México, que argumentaram que não poderiam apoiar a convocação de eleições por se tratar de uma questão de política interna.

O grupo também pediu "permissão para entrada urgente" de ajuda humanitária, e resolveu coordenar essa assistência com o ACNUR, a agência de refugiados da ONU, e enviar uma missão técnica à Venezuela.

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