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O presidente venezuelano Nicolás Maduro em um comício em Caracas em 19 de abril

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O presidente Nicolás Maduro informou nesta sexta-feira ter chamado para consultas o embaixador da Venezuela em Brasília, após o afastamento de Dilma Rousseff da presidência como parte do processo de impeachment.

"Pedi ao nosso embaixador no Brasil, Alberto Castelar, para vir a Caracas e me reuni com ele, junto com a chanceler (Delcy Rodríguez), e estivemos avaliando esta dolorosa página da história do Brasil outra vez", disse Maduro à uma rede de TV.

Na quinta-feira, Maduro prometeu adotar medidas para impedir que a oposição brasileira destitua Dilma e chamou o afastamento da presidente de "golpe de Estado".

Maduro advertiu que o afastamento de Dilma "vai afetar" o Mercosul, cuja presidência a Venezuela assumirá dentro de um mês.

O presidente venezuelano acusa o mandatário americano, Barack Obama, de estar "por trás do golpe" no Brasil e de tentar "acabar com as correntes progressistas na América Latina"

Nesta sexta-feira, o Itamaraty repudiou as críticas da Venezuela e de outros governos latino-americanos, acusando-os de "propagar falsidades" por questionar a legalidade do processo de impeachment.

O Itamaraty "rejeita enfaticamente as manifestações dos governos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua, assim como da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América/Tratado de Cooperação dos Povos (ALBA/TCP), que se permitem opinar e propagar falsidades sobre o processo político interno no Brasil".

"Esse processo se desenvolve em quadro de absoluto respeito às instituições democráticas e à Constituição federal. (...) o rito estabelecido na Constituição e na Lei foi seguido rigorosamente, com aval e determinação do STF", acrescenta a nota.

O Ministério das Relações Exteriores passou a ser comandado pelo senador José Serra (PSBD) desde que Michel Temer assumiu o governo interino, na véspera.

O Itamaraty também repudiou as declarações do secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, depois dele advertir, na quinta-feira, que uma possível destituição de Dilma significaria uma ruptura do sistema democrático no Brasil.

"Os argumentos apresentados, além de errôneos, deixam transparecer juízos de valor infundados e preconceitos contra o Estado brasileiro e seus poderes constituídos e fazem interpretações falsas sobre a Constituição e as leis brasileiras", diz o comunicado sobre as declarações de Samper.

"Além disso, transmitem a interpretação absurda de que as liberdades democráticas, o sistema representativo, os direitos humanos e sociais e as conquistas da sociedade brasileira se encontrariam em perigo", acrescenta.

AFP