Navigation

Maduro espera abrir canais de 'diálogo' com Biden

O presidente Nicolás Maduro fala com correspondentes estrangeiros no dia 8 de dezembro no Palácio Miraflores, em Caracas afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. dezembro 2020 - 21:36
(AFP)

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse nesta terça-feira (8) que espera abrir canais de "comunicação e diálogo" com o governo do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, após a tensão com o governo de Donald Trump.

"Sempre estivemos dispostos e sempre estaremos dispostos a estabelecer relações de comunicação, diálogo e respeito", disse Maduro em entrevista coletiva com correspondentes em Caracas.

"Esperamos que o novo governo do senhor Joe Biden seja empossado, esperamos que tenham tempo para pensar e esperamos que se abram possibilidades de comunicação e diálogo entre a Venezuela e os Estados Unidos", acrescentou.

Nas últimas semanas, Maduro fez vários apelos ao diálogo com Biden após quatro anos de duros confrontos com o governo Trump, que o chama de "ditador" e reconhece o líder da oposição Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.

"A política de Donald Trump para a Venezuela falhou miseravelmente", concordou o líder socialista.

Washington tem uma política aberta de enfrentamento a Maduro, com uma avalanche de sanções contra o país, incluindo um embargo ao petróleo.

Biden, que assumirá o poder em 20 de janeiro, também disse que o presidente venezuelano "é simplesmente um ditador", embora analistas acreditem que ele será mais moderado e defenderá a mediação internacional para uma transição gradual para um novo governo venezuelano.

As tensões entre Caracas e Washington têm sido constantes desde a era do ex-presidente socialista Hugo Chávez (1999-2013), mas alcançaram novos picos com Maduro e Trump no poder.

Trump chegou a dizer que "todas as opções" estavam sobre a mesa na crise venezuelana, aludindo a uma via militar.

Maduro disse nesta terça-feira que a relação entre Caracas e Washington foi melhor durante o governo de Barack Obama, de quem Biden era vice-presidente, embora tenha começado a se deteriorar em 2015 com o decreto que declara a Venezuela uma "ameaça incomum e extraordinária" para a segurança dos Estados Unidos.

O último embate com Washington foi neste fim de semana, quando a Casa Branca ignorou a eleição para renovar o Parlamento, único poder nas mãos da oposição e liderado por Guaidó.

Os principais partidos políticos da oposição se uniram em abstenção, que chegou a 70%. O chavismo então venceu e passará a controlar a câmera.

No encontro com a imprensa estrangeira, Maduro denunciou um plano de assassinato contra ele, justificando uma mudança repentina do centro de votação para a principal instalação militar de Caracas.

“De fontes altamente confiáveis da inteligência colombiana, recebemos informações de que estavam preparando um ataque para me assassinar no dia das eleições”, disse o presidente venezuelano, que denuncia constantemente supostos planos de assassinato pelos quais Trump costuma ser responsabilizado além de seu homólogo colombiano, Iván Duque.

Partilhar este artigo

Modificar sua senha

Você quer realmente deletar seu perfil?