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Maduro pede fim "imediato" de sanções em negociações com a oposição

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, na "Jornada de Balanço do Plano de Atenção Integral às Vítimas do Bloqueio contra o Povo Venezuelano" em Caracas, em 14 de maio de 2021 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 27. maio 2021 - 00:57
(AFP)

O presidente Nicolás Maduro solicitou nesta quarta-feira (26) "o levantamento imediato de todas as sanções" contra a Venezuela como primeira exigência nas negociações com a oposição, após a proposta de retomada das conversas apresentada em 11 de maio pelo líder oposicionista Juan Guaidó.

Maduro fez três exigências: o fim das sanções financeiras lideradas pelos Estados Unidos para tentar forçar sua saída do poder, o reconhecimento do Parlamento controlado pelo chavismo e a liberação das contas do Estado venezuelano bloqueadas no exterior.

Reconhecido como presidente da Venezuela por cinquenta países, Guaidó propôs há duas semanas retomar as negociações com Maduro para implementar um novo calendário eleitoral, que incluiria eleições presidenciais, em troca do "levantamento progressivo" das sanções.

Guaidó desde então tem insistido no que ele chama de "um acordo de salvação nacional". “É urgente”, enfatizou nesta quarta-feira.

Maduro se declarou disposto a se reunir com a oposição "quando quiser, onde quiser e como quiser", mas, três dias após a proposta de Guaidó, ele já havia condicionado sua participação no diálogo à recuperação de fundos bloqueados no exterior e ao controle da Citgo, subsidiária da estatal petrolífera PDVSA nos Estados Unidos, cuja gestão foi cedida a Guaidó por Washington.

- Condições ausentes -

A tentativa de reativar as negociações políticas coincidiu com a convocação de eleições de governadores e prefeitos para o próximo dia 21 de novembro por meio de nova diretoria do Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Os adversários de Maduro estão em uma encruzilhada, depois que Guaidó liderou um boicote aos principais partidos da oposição contra as eleições legislativas de 2020, nas quais o chavismo retomou o controle do único poder que não tinha em suas mãos, e as eleições presidenciais de 2018, nas quais Maduro foi reeleito.

Líderes da oposição, como o ex-candidato à presidência Henrique Capriles, defenderam avaliar possíveis candidaturas desta vez.

No entanto, em uma visita por uma comunidade popular do estado de Miranda (vizinha Caracas), Capriles esclareceu à AFP que ainda não decidiu se concorrerá nas eleições regionais.

Para o ex-candidato presidencial, faltam condições como “especificar a observação internacional”, libertar “presos políticos” e resolver as proibições contra candidaturas de opositores e organizações políticas.

Os Estados Unidos e a União Europeia não reconhecem a Assembleia Nacional dominada pelo chavismo e questionam as eleições de 2020, mas receberam com cautela a nomeação naquele órgão da nova CNE, com três dos cinco reitores ligados a Maduro e dois à oposição.

Essa CNE é o produto de negociações entre o chavismo e setores da oposição distanciados de Guaidó e foi criada após o fracasso dos contatos entre os delegados de Maduro e Guaidó em 2019, com a mediação da Noruega, congelada quando Washington intensificou suas sanções.

Guaidó, por enquanto, não reconhece essas autoridades eleitorais, ao contrário de Capriles, que considera a nomeação da CNE um “primeiro passo” para procurar soluções para a crise política, embora “não seja suficiente”.

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