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O presidente venezuelano, Nicolás Maduro (D), e o ministro venezuelano da Defesa, Padrino Lopez (E), em Caracas, no dia 13 de julho de 2016

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Os militares venezuelanos ordenam filas nos supermercados, custodiam caminhões de alimentos e cultivam. Agora, vão fiscalizar a carga nos portos e distribuir comida. O presidente Nicolás Maduro se apoia nas Forças Armadas para mitigar a grande escassez.

Na noite de terça-feira (12), Maduro deixou os cinco principais portos do país sob comando de uma autoridade militar, como parte de um enorme deslocamento de soldados para a recém-lançada "Missão de Abastecimento Soberano", a cargo do próprio ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López.

Acompanhado do general do Exército, Maduro disse que, na segunda-feira, primeiro dia de aplicação de um plano de fiscalização em portos e empresas de produtos básicos, observou-se o "caos", o que favorece "a corrupção".

Entre dezenas de caixas de frango que circulavam para serem empacotadas, o general Pedro Álvarez garante que tudo é verificado: qual tipo de matéria-prima chega às empresas, a capacidade instalada e de armazenamento, a quem se dirige o produto final e a quais estabelecimentos comerciais ele chega.

"Caso se esteja desviando, nós tomaremos medidas bem severas. São as instruções. Estamos fazendo uma verificação dos estoques, das máquinas", explica à imprensa o comandante da zona de defesa do estado Miranda (centro).

Maduro, que enfrenta uma baixa popularidade, espera que os militares ponham ordem à distribuição de mercadorias e reduzam a enorme escassez de mais de 80% nos alimentos e medicamentos, que gera angústia nos venezuelanos e provoca longas filas nos supermercados.

"O governo deve governar os portos: saber o que entra, saber o que sai, saber o que está ali e saber para onde vai, É uma guerra. Por isso, foi colocado o comando das Forças Armadas à frente da guerra, como deve ser", afirmou o vice-presidente Aristóbulo Istúriz, em um fórum sobre economia.

Como suporte jurídico às medidas de intervenção, o governo anunciou nesta quarta-feira a extensão, por 60 dias, do estado de exceção diante da emergência econômica, que Maduro decretou em janeiro e já prorrogou em três ocasiões.

O governo socialista assegura que os produtos são desviados para o contrabando e a revenda. O governo atribui essa situação a uma "guerra econômica" de empresários e da oposição para derrubá-lo.

'Dividir o que não tem!'

Analistas e empresários asseguram, entretanto, que o problema é a produção, como consequência do controle de preços e da falta de dólares para importar, considerando-se o rígido controle cambial que existe desde 2003.

"Isso é dividir a escassez, dividir o que não tem. É impossível que resolvam o problema se não aumentarem a produção", disse à AFP o economista Luis Vicente León, da Datanálisis, referindo-se ao que chamou de "desastre econômico".

Golpeada pela queda dos preços do petróleo, a Venezuela também sofre com a inflação mais alta do mundo: 180,9% em 2015, e 720% em 2016, segundo projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Estamos enfrentando uma guerra. Não tenho dúvida de que, por isso, o general Padrino está assumindo novas responsabilidades (...) saberá como batalhar", disse nesta quarta-feira o ministro da Agricultura, Wílmar Castro, um dos dez militares que integram o gabinete de 30 ministros.

Segundo Maduro, a iniciativa privada controla 93% da distribuição de produtos básicos e - afirmou - está "pulverizando" todo o sistema com o acúmulo e a especulação.

'Um enorme disparate!'

Com seu plano, Maduro ordenou que todos os ministros se subordinem a Padrino López, que agora se tornou um dos homens mais poderosos da Venezuela.

"Subordinar toda a estrutura do Estado a Vladimir Padrino traça o caminho da Venezuela: o diálogo para a transição será com os militares", opinou a especialista em assuntos de segurança, Rocío San Miguel.

O presidente do Parlamento, Henry Ramos Allup, considerou um "enorme disparate entregar aos militares a última etapa dessa tragédia".

"É uma vergonha", ressaltou o opositor.

Padrino López, um militar de 53 anos com fama de fidelidade ao chavismo, diz que não se trata de militarizar a economia, mas de levar "ordem e disciplina" em meio à "guerra econômica".

Com 165.000 homens, 25.000 na reserva e outros milhares da chamada Milícia Popular, a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) está, atualmente, no comando de ministérios-chave, como o da Fazenda, o de Alimentação e Terras, o de Pesca e Aquicultura, Energia Elétrica e Moradia, entre outros.

Em fevereiro passado, Maduro criou uma companhia militar de mineração, petróleo e gás, que se somou à lista de empresas controladas pela FANB, como um canal de televisão, um banco, uma montadora e uma construtora.

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AFP