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Maiorca, "liberdade e felicidade" para os alemães exaustos da pandemia

A Praia de Palma, em Palma de Maiorca em 29 de março de 2021 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 30. março 2021 - 17:12
(AFP)

Tanya Büscher diz que se sentiu "um pouco" culpada ao reservar sua passagem de avião para Maiorca. Mas o remorso não resistiu às águas turquesa do Mediterrâneo: "não sabemos o que o futuro nos reserva, podem voltar a fechar as fronteiras".

A alemã, de 32 anos, viajou de Dortmund para a maior das Ilhas Baleares depois que a chanceler Angela Merkel renunciou in extremis a impor confinamento estrito durante a Semana Santa.

Em meados de março, as reservas dispararam quando Berlim suspendeu a obrigação de manter a quarentena ao retornar das Ilhas Baleares, graças à baixa incidência do vírus neste arquipélago mediterrâneo.

De imediato, o operador turístico alemão TUI duplicou a oferta de voos para Maiorca, enquanto a companhia aérea Lufthansa multiplicou por três as ligações entre Palma e Frankfurt.

Uma notícia recebida com irritação por muitos espanhóis residentes na Península Ibérica, privados das Ilhas Baleares pela proibição de se deslocarem entre as regiões durante a Páscoa, como medida anticovid.

Os turistas estrangeiros podem chegar às Ilhas Baleares de avião, com a condição de apresentarem PCR negativo. Os alemães precisam fazer outro teste antes de voltar para casa.

- Álcool em gel -

O recente aumento nas reservas de forma alguma ameaça saturar a gigantesca capacidade hoteleira de Maiorca. Apenas 13% dos estabelecimentos estão abertos, segundo a federação hoteleira local FEHM.

E embora seja verdade que o número de voos diários no aeroporto de Palma dobrou desde 26 de março em relação às semanas anteriores, ainda é entre 60 e 80% menor que o tráfego de 2019 na mesma época, segundo dados do gestor aeroportuário espanhol AENA.

No hotel Acapulco Playa, no litoral, apenas 10% dos quartos estão ocupados, frente a 90% em uma Páscoa normal, explica Fernando González, diretor comercial da rede hoteleira Gruphotel, uma das principais das Ilhas Baleares, que no momento abre apenas cinco de seus 36 estabelecimentos.

No arquipélago altamente dependente do turismo, onde o PIB local caiu 24% em 2020, os esforços são enormes para receber os visitantes em condições seguras: álcool em gel à vontade nos hotéis e medição da temperatura na entrada dos restaurantes.

Os bares e restaurantes fecham às cinco da tarde, o que garante noites tranquilas, enquanto em Madri - com os bares abertos até às onze da noite - continua a polêmica sobre as festas ilegais nos apartamentos e os excessos de alguns turistas nas ruas.

- Uma saída para a economia -

“É vital, não há outra solução senão tentar retomar, de forma segura, claro, de forma controlada, um certo mínimo de atividade turística”, afirma Fernando González, e garante que seus clientes, geralmente, vêm "para relaxar, para passear, para ler um livro".

Para Cristian Lafourcade, garçom do restaurante de comidas alemãs Sur Krone, a chegada dos alemães (95% de sua clientela) foi "um alívio total".

Os turistas entrevistados pela AFP dizem que todos se sentem "mais seguros" em Maiorca do que em seu país, onde as multidões nas ruas e nas lojas não são incomuns.

“Se seguirmos as regras, tudo vai bem. Fizemos o teste para não trazer o vírus e aqui mantemos nossas distâncias”, explica Charline Osmi, que veio de Hanover com o namorado Omar El Khawaga, “deprimido” devido a restrições anticovid.

O casal não disse aos amigos que iam a Maiorca, para evitar comentários desagradáveis. “É preciso aprender a conviver com o vírus”, afirma.

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