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Uma multidão se concentra nos arredores do Palácio do Campo das Princesas, em Recife, para prestar a última homenagem a Eduardo Campos, candidato à presidência pelo PSB falecido em acidente aéreo em Santos

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Mais de 160 mil pessoas, incluindo a presidente Dilma Rousseff, acompanharam neste domingo, em Recife, o cortejo fúnebre do candidato à Presidência pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Eduardo Campos, falecido em um acidente de avião na última quarta-feira, 13 de agosto.

Milhares de pessoas acompanharam o caminhão do Corpo de Bombeiros, que levou o caixão, coberto com uma bandeira do Brasil, até o cemitério.

"Eduardo, guerreiro do povo!", gritava a multidão na passagem do veículo, onde estavam a viúva Renata Campos, com os cinco filhos, e Marina Silva, candidata à vice-presidência e que deve assumir a chapa na próxima quarta.

Governador de Pernambuco, Campos renunciou ao cargo para concorrer à eleição presidencial de outubro. A campanha eleitoral começa na terça-feira.

- Ao lado do avô -

No maior cemitério de Recife, um carro elétrico levou o caixão até o jazigo da família. O enterro de Eduardo Campos aconteceu sob uma chuva de fogos de artifício, às 18h35. Devido à multidão que acompanhava o cortejo fúnebre, o sepultamento foi realizado com atraso.

Ele foi enterrado junto ao avô Miguel Arraes, um dos grandes nomes da esquerda brasileira e também ex-governador de Pernambuco.

A homenagem a Campos começou logo cedo, com uma fila de quase três quilômetros em frente ao Palácio Campo das Princesas, sede do governo local, onde aconteceu o velório.

Uma missa campal também foi realizada, na presença da presidente Dilma.

O caixão foi colocado do lado de fora do prédio para facilitar o acesso das pessoas, a maioria muito emocionada, segundo jornalistas da AFP.

Morreram no acidente os sete ocupantes da aeronave que Campos usava em sua campanha. Além do candidato, estavam a bordo assessores e os dois pilotos.

Todos os corpos chegaram por volta da meia-noite de sábado a Recife.

- Mesmos ideais -

Na cerimônia religiosa, o arcebispo de Olinda e Recife, Fernando Saburido, destacou em seu sermão que, "no momento do acidente, as vítimas estavam unidas pelos mesmos ideais".

A presidente Dilma Rousseff foi vaiada pela multidão quando chegou ao Palácio, constatou um jornalista da AFP. Ela estava acompanhada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de vários ministros.

No final da cerimônia, Lula, amigo da família, abraçou a viúva, coberto de lágrimas.

O candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves, também compareceu.

Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto para as presidenciais, ao lado da ambientalista Marina Silva como vice, Eduardo Campos, de 49 anos, viajava em um jato Cessna 560XL, que caiu na quarta-feira na zona residencial de Santos, litoral de São Paulo.

Com uma extensa carreira política, na qual foi governador de Pernambuco, ministro e deputado, o candidato socialista se apresentava como uma alternativa à polarização entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT, da situação) e do PSDB (oposição), que governam o país há 20 anos.

O presidente do PSB, Roberto Amaral, informou que o partido deve anunciar na próxima quarta quem será seu novo candidato. Segundo a imprensa, é provável que a própria Marina Silva seja indicada. Especula-se que a viúva de Campos seja vice na chapa, embora também tenha sido mencionado o nome do deputado socialista Beto Albuquerque.

AFP