AFP

Foto cedida pela assessoria de imprensa do Exército da Colômbia mostra soldados procurando por vítimas em Mocoa, no deparamento de Puntamayo, em 1º de abril de 2017

(afp_tickers)

Um deslizamento de terra no sul da Colômbia deixou neste sábado mais de 200 mortos e centenas de feridos e desaparecidos, uma tragédia que entristece o país, comovido pela devastação em Mocoa, onde o governo declarou estado de "calamidade pública".

"O último balanço é de 206 pessoas falecidas, 202 feridos, 220 desaparecidos, 300 famílias afetadas, 17 bairros com danos maiores e 25 casas totalmente destruídas", disse à AFP César Urueña, diretor de Socorro da Cruz Vermelha Colombiana.

"Nossos corações estão com as famílias das vítimas e afetados por esta tragédia. Não vamos desfalecer no seu atendimento", tuitou o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que lidera os trabalhos de resgate na zona, após os deslizamentos provocados pela cheia dos rios Mocoa, Mulato e Sangoyaco, em Putumayo, em plena Amazônia.

As imagens divulgadas pelos socorristas são impactantes: ruas cobertas de terra, soldados carregando crianças, pessoas chorando e veículos destruídos.

Mocoa, um município de 40.000 habitantes, está sem energia elétrica e sem água corrente, serviços que o governo tenta restabelecer.

"Há muita gente nas ruas, muita gente prejudicada, muitas casas destruídas", descreveu à AFP por telefone Hernando Rodríguez, um aposentado de 69 anos.

"Apenas não estamos nos dando conta do que aconteceu", acrescentou.

- "Calamidade pública" -

Na noite de sexta-feira choveu 130 mililitros, 30% do que cai em um mês em Mocoa, explicou Santos. "Isso precipitou uma súbita cheia de vários rios [...] e isso causou os deslizamentos", afirmou, antes de declarar estado de "calamidade pública" para "agilizar" as operações de resgate e ajuda.

"Estamos em risco de vida, a água já chega até a metade da casa", contou uma mulher identificada como Laura Montoya, que ligou para o serviço de emergências, segundo uma publicação no site da Presidência.

O meteorologista Diego Suárez, do Instituto de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais da Colômbia (Ideam), disse à Caracol Radio que a entidade prevê "precipitações menos intensas" para este sábado em Mocoa, enquanto que no domingo e na segunda-feira as chuvas "irão diminuindo paulatinamente".

Segundo o bombeiro David Silva, os estabelecimentos comerciais estão fechados "por medo" de assaltos.

"Ontem à noite houve saques em lugares que vendem água", disse à AFP o bombeiro, acrescentando que a "maioria" dos bairros afetados são habitados por deslocados pelo conflito armado de meio século no país.

A "onda de inverno" na América do Sul não afetou somente a Colômbia. O Peru vem enfrentando desde o início do ano chuvas e deslizamentos de terra que até o momento deixaram 101 mortos e mais de um milhão de afetados.

No Equador, foram registradas 21 mortes desde janeiro e 9.409 famílias afetadas, segundo o balanço oficial mais recente.

- "Emergência sanitária" -

Brasil, Espanha, Equador, Venezuela, Alemanha e a União Europeia, entre muitos países e organismos internacionais, expressaram sua solidariedade após a catástrofe.

A governadora de Puntamayo, Sorrel Aroca, disse à Caracol Radio que foi declarada "emergência sanitária" ante o colapso do hospital do município, de modo que foi preciso habilitar outros lugares para receber os feridos.

As águas carregaram diversas casas, postes de eletricidade, veículos, árvores, e destruíram pelo menos duas pontes, acrescentou o Exército, cujos soldados apoiam os trabalhos de resgate e socorro.

"A situação de Mocoa é dramática. Pedimos a solidariedade de toda Colômbia", escreveu no Twitter o vice-ministro do Interior, Guillermo Rivera.

Uma sala de crise com autoridades locais, soldados, policiais e membros de organismos de socorro trabalha na busca de desaparecidos e na remoção do material, informou o governo.

Um milhão de pessoas estão ajudando nos trabalhos de resgate na zona, onde foram mobilizadas mais de sete toneladas de equipamentos e enviados milhares de kits de higiene, ajudas alimentares e colchões.

AFP

 AFP