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Mais de 27.000 refugiados de Mianmar chegaram ao território do vizinho Bangladesh em uma semana

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Mais de 27.000 refugiados de Mianmar chegaram ao território do vizinho Bangladesh em uma semana, fugindo dos combates entre os rebeldes muçulmanos rohingyas e o Exército de Mianmar, acusado por ativistas de ter matado 130 civis da mesma localidade.

Segundo os últimos dados divulgados nesta sexta-feira pela ONU, 27.400 pessoas chegaram a Bangladesh desde sexta-feira passada e cerca de 20.000 estariam presas na fronteira. Esses refugiados são majoritariamente rohingyas.

Paralelamente, várias organizações acusam o exército de ter cometido uma nova matança na localidade de Chut Pyin.

A ONG local Fortify Rights obteve o relato de sobreviventes que falam de uma chacina que teria durado cinco horas.

Chris Lewa, do projeto Arakan, organização de defesa dos direitos dos rohingyas, disse à AFP "que forças de segurança acompanhadas por colonos da etnia rakhine atacaram no domingo o povoado, queimaram casas e atiraram contra os rohingyas que fugiam".

"Segundo uma lista que pudemos estabelecer, 130 pessoas morreram, entre elas mulheres e crianças", acrescentou.

- Uma área fechada -

Essa região está fechada desde outubro e nenhum jornalista pode chegar a ela de forma independente. O governo de Mianmar, contactado pela AFP, não respondeu.

Em sua conta do Facebook, no começo da semana o governo se referiu a uma grande operação na área.

"As tropas trocaram tiros com 80 terroristas bengalis (termo utilizado pelas autoridades para designar os rohingyas) armados com bombas caseiras, facas e lanças", afirmou o Executivo, dirigido pela ex-dissidente e prêmio Nobel da paz Aung San Suu Kyi.

Os combates começaram no dia 25 de agosto, quando centenas de homens, que fariam parte do Arakan Rohingya Salvation Army (ARSA), atacaram várias delegacias de polícia do estado de Rakhine (Mianmar), dando lugar aos maiores episódios violentos há meses.

Os confrontos levaram milhares de civis, principalmente membros da minoria rohingyas, perseguida, a abandonar suas casas.

Mais de 400.000 rohingyas se encontram em Bangladesh, um país que não quer mais acolhê-los e que fechou sua fronteira com Mianmar.

Os rohingyas, muçulmanos sunitas, falam um dialeto de origem bengali utilizado no sudeste de Bangladesh, de onde são originários.

Quase um milhão deles moram em Mianmar, país majoritariamente budista, boa parte nos campos de refugiados, principalmente no estado de Rakhine, no noroeste do país.

A enviada especial das Nações Unidas em Mianmar, Yanghee Lee, expressou sua preocupação na última quinta-feira, declarando-se "gravemente preocupada" pela situação e exigindo que se "rompa urgentemente" o ciclo de violência.

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AFP