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Mais de 630 mortos por novo coronavírus, incluindo o médico que alertou sobre a doença

Um médico com um paciente em quarentena em Wuhan, na China afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. fevereiro 2020 - 00:15
(AFP)

As medidas para enfrentar a epidemia viral do novo coronavírus aumentam em todo o mundo, principalmente depois do novo balanço de 630 mortos divulgado nesta quinta-feira (6), incluindo um dos primeiros médicos que alertou sobre a doença.

O gigante asiático registrou mais de 30 mil pessoas contagiadas e cada vez mais cidades chinesas emitem ordens de que as pessoas permaneçam em casa.

Um médico chinês que foi um dos primeiros a alertar publicamente sobre o novo coronavírus morreu em decorrência da doença nesta quinta-feira (sexta-feira pelo horário local), segundo o anúncio do hospital em ele estava internado.

O oftalmologista Li Wenliang morreu da infecção às 2h58 da manhã (horário local), informou o Hospital Central de Wuhan. Após atender pacientes com sintomas similares aos da Síndrome Respiratória Aguda Severo (Sars), Li enviou uma mensagem a seus colegas advertindo que usassem máscaras para se protegerem.

Mais tarde, as autoridades o acusaram, junto com outras oito pessoas, de "propagação de rumores".

Fora da China continental, foram confirmados mais de 240 casos da doença em cerca de 30 países. Milhares de turistas e tripulantes estão presos em cruzeiros na Ásia.

No Japão, 3.700 pessoas de dezenas de nacionalidades ficaram em quarentena por 14 dias no cruzeiro "Diamond Princess" depois que foram confirmados 20 casos a bordo.

Em Hong Kong, 3.600 pessoas também passam pela mesma situação no cruzeiro "World Dream", depois que três passageiros tiveram resultado positivo para o novo coronavírus.

Segundo as autoridades japonesas, um outro caso foi detectado a bordo de outro navio, o "Westerdam", que navegava rumo ao Japão.

- Voos suspensos -

Várias companhias aéreas suspenderam os voos para a China continental. United Airlines e American Airlines também cancelaram os voos para Hong Kong e a Indonésia bloqueou milhares de turistas chineses em Bali ao suspender as conexões aéreas.

Air France e KLM anunciaram nesta quinta-feira a prorrogação até 15 de março da suspensão de seus voos à China continental, prevista a princípio até 9 de fevereiro.

As autoridades de Hong Kong fecharam na prática todas as passagens de fronteira com o restante do país. A partir de sábado, o território colocará em isolamento por duas semanas todas as pessoas procedentes da China continental.

As operações de repatriação também prosseguem: dois aviões militares brasileiros decolaram com destino a Wuhan para resgatar cidadãos do país, assim como outros dois aviões americanos devem fazer o mesmo na sexta-feira.

Embora os organizadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 tenha demonstrado preocupação quanto a doença na última quarta, o grupo informou nesta quinta que o evento esportivo acontecerá normalmente.

O balanço da epidemia subiu para 630 mortos na China continental, sem contar com Hong Kong e Macau, depois que a província de Hubei informou que mais 69 pessoas morreram, além de 2.447 novos casos registrados. Fora da China, a doença deixou uma vítima nas Filipinas e outra em Hong Kong.

A taxa de mortalidade do novo coronavírus, de aproximadamente 2%, ainda é considerada mais branda que a SARS, que matou 774 pessoas em todo o mundo entre 2002 e 2003.

- Hospitais construídos contra o tempo -

Duas semanas depois do início da quarentena na cidade de Wuhan e de uma parte de sua província, Hubei (centro), onde a epidemia se propaga rapidamente, o sistema de saúde local está totalmente saturado.

Em Wuhan, um hospital com 1.000 leitos construído em apenas 10 dias, começou a receber os primeiros pacientes na terça-feira. Um segundo centro médico, com capacidade para 1.600 camas, deve entrar em funcionamento nas próximas horas.

Após a quarentena em toda a cidade de Wuhan e na província de Hubei, que afeta quase 56 milhões de pessoas, várias cidades do leste da China começaram a impor restrições aos deslocamentos a dezenas de milhões de pessoas mais.

Para enfrentar o fluxo de pacientes, as autoridades de Wuhan anunciaram a transformação de uma dezena de edifícios públicos (centros culturais, ginásios, etc) em clínicas.

A metrópole, de 11 milhões de habitantes e coração da epidemia, registra uma "severa" falta de camas e de "equipes e material", afirmou Hu Lishan, alto funcionário do governo da cidade.

O grupo chinês de biotecnologia BGI anunciou nesta quinta-feira a instalação nesta cidade de um laboratório que pode fazer a cada dia mais de 10.000 exames de detecção do vírus.

Na China, onde as medidas de confinamento estão se intensificando, muitas cidades da província de Zhejiang (leste), a várias centenas de quilômetros de Wuhan, decretaram novas restrições ao deslocamento.

Em Hangzhou, uma metrópole tecnológica e turística, a 150 km de Xangai, que registrou quase 200 casos, bloqueios nas ruas impedem a aproximação da sede do gigante do comércio virtual Alibaba. A cidade autoriza a saída de apenas uma pessoa por residência a cada dois dias para a compra de produtos de primeira necessidade.

Em Zhumadian, Henan, província limítrofe com Hubei, apenas uma pessoa por casa pode sair a cada cinco dias e compensações econômicas foram oferecidas para quem denunciar pessoas procedentes de Hubei.

Paralisada pelas restrições e o virtual isolamento do mundo, a economia chinesa pode sofrer as consequências durante muito tempo.

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