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O vice-presidente regional e chefe de Economia e Finanças, Oriol Junqueras (CE); o presidente do governo catalão, Carles Puigdemont (C); e a presidente do Parlamento catalão, Carme Forcadell (CD), em Barcelona, em 16 de setembro de 2017

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Aos gritos de "votaremos" e de "independência", mais de 700 dos 948 prefeitos da Catalunha mostraram neste sábado (16), em Barcelona, sua determinação para organizar o referendo de autodeterminação para essa região do nordeste do país.

Mais de dois terços dos prefeitos da região se comprometeram a ceder locais em suas jurisdições para votar em 1º de outubro no referendo convocado pelo governo regional. A consulta foi declarada ilegal pelo Tribunal Constitucional e conta com a oposição do governo de Madri.

Os prefeitos cantaram o hino catalão, "Els segadors", enquanto outros manifestantes, muitos deles com bandeiras separatistas, davam seu apoio do lado de fora da sede do governo: "estamos com vocês!".

Nas ruas de Bilbao, País Basco (norte), milhares de pessoas se manifestaram neste sábado, até 35.000 segundo os organizadores, para expressar o seu apoio ao referendo catalão.

Na quarta-feira (13), a Procuradoria-Geral da Espanha ordenou aos procuradores da Catalunha que convoquem judicialmente - na qualidade de "investigados" - os prefeitos dispostos a cooperar com a "organização do referendo ilegal" e, se não comparecerem, que se determine sua detenção.

Ao receber os prefeitos, o presidente catalão, Carles Puigdemont, rebateu as "ameaças" do chefe de Governo espanhol, Mariano Rajoy: "não subestimem a força do povo da Catalunha, que optou por decidir".

Na noite de sexta-feira (15) em Barcelona, Rajoy alertou os separatistas para que "não subestimem a força da democracia espanhola".

O porta-voz do Executivo central, Íñigo Méndez de Vigo, advertiu que "ou se está com a lei, ou se está contra a lei. Não se deixam as chaves e 'eu não quero saber de nada'. É uma atitude de pouco fundamento".

"Não somos criminosos", repetiam muitos prefeitos.

"Há uma infinidade de anos que os catalães pedem mais poder, sobretudo, no tema fiscal", afirmou o prefeito de La Maso (300 habitantes), Josep Sole, de 74, integrante da Associação de Municípios pela Independência (AMI).

"Não me manifesto a favor da independência, mas a favor da votação", declarou à AFP.

"Pedir uma opinião não é uma coisa ruim na democracia", argumenta a pró-independência Sara Janer, que é, aos 26 anos, a prefeita mais jovem da Catalunha.

Em Pontils, povoado de 120 habitantes, "me elegeram para ouvi-los e, se o Governo catalão dá a oportunidade de se expressarem, temos que colocar as urnas", afirma.

"Os catalães querem muito se expressar, isso é evidente", insistiu.

Os separatistas são maioria no Parlamento regional desde 2015, mas a sociedade catalã se mostra muito dividida diante da independência, como mostrou uma pesquisa do governo regional feita em julho. Na enquete, 49,4% seriam contra a separação, e 41,06%, a favor.

Nas eleições regionais de setembro de 2015, os partidos separatistas obtiveram 47,6% dos votos. Os defensores da permanência na Espanha somaram 51,28%.

Em meio à polêmica, 70% dos catalães são a favor de resolver a questão por meio de um referendo.

A prefeita de esquerda da capital catalã, Barcelona (1,6 milhão de habitantes), Ada Colau, mostrou sua "solidariedade" para com os prefeitos pró-referendo, ao recebê-los na Prefeitura.

"É uma vergonha: um Estado incapaz de amparar o povo da Catalunha, um Estado incapaz de oferecer uma resposta política", criticou Ada.

"O futuro será construído com os prefeitos que estão aqui e com os que não estão", continuou.

Ela evitou se envolver diretamente na organização do referendo, embora tenha anunciado que os habitantes de Barcelona poderão votar, mas sem explicar como. Posteriormente, Puigdemont disse ter chegado a um acordo com a prefeita.

O referendo é rejeitado em 122 Prefeituras governadas por socialistas, que veem a consulta como uma ameaça à unidade da Espanha. Muitos governantes relatam sofrer ameaças.

"Sofro pressões especialmente agressivas, basicamente nas redes sociais. São dezenas de insultos de todo o tipo, vindo de contas anônimas (nas redes sociais)", desabafa a prefeita de Lérida (125.000 habitantes), Àngel Ros, mencionando "uma situação tensa e preocupante".

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AFP