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Mais vestígios do palácio do rei Herodes não desenterrados na Cisjordânia ocupada

A fortaleza do rei Herodes, perto de Belém, Cisjordânia (Territórios Palestinos), em 17 de novembro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 10. dezembro 2020 - 15:04
(AFP)

Localizado em plena montanha no deserto da Judeia, o Palácio de Herodes, o Grande, tirano que reinou sobre a Judeia romana, exibirá ao público, a partir de domingo (13), os novos tesouros desenterrados por arqueólogos israelenses, após anos de escavações.

Herodium é um sítio arqueológico e turístico localizado entre Jerusalém e a cidade palestina de Belém, em uma zona que fica sob controle civil e militar israelense.

Nesta montanha, o rei Herodes, o Grande - pai do rei Herodes Antipas - ordenou a construção de um palácio-fortaleza onde deveria ser enterrado.

De acordo com os arqueólogos, o soberano - que reinou entre 37 e 4 a.C. - decidiu no fim da vida mandar enterrar seu palácio com terra extraída do sopé da própria montanha, o que provocou um efeito inesperado: preservar a estrutura.

Para Roi Porat, arqueólogo que coordenou as escavações, o sítio é um "laboratório arqueológico único", comparável a Pompeia, conservada pelas cinzas vulcânicas na Itália.

A partir de domingo, o público poderá subir pela primeira vez a ampla escadaria coroada por arcos, que leva ao salão principal do palácio, cujas paredes são decoradas com magníficos afrescos em tons de marrom, verde e preto, representativos do estilo da época.

Os visitantes também poderão apreciar, ao pé da escadaria, um teatro com quase 300 lugares, e um camarote "VIP", onde Herodes certa vez recebeu o general romano Marco Agripa, em 15 a.C., segundo Porat.

De acordo com o especialista, "foi uma visita muito importante para Herodes" que, na ocasião, determinou uma redecoração do grande salão, com a pintura de janelas falsas e afrescos que faziam referência à conquista do Egito por Agripa, "observados" do alto por gravuras suntuosas.

Herodes respeitava a tradição judaica e evitava os desenhos de animais e homens, mas, em seu palácio preferido, o do deserto da Judeia, "tudo era permitido", revela Porat.

O palácio, cuja entrada principal está voltada para Jerusalém, "é uma cápsula romana na Judeia", na opinião do arqueólogo.

O rei, também chamado de "Herodes, o Cruel" por sua conhecida impiedade e por sua obsessão por conspirações, também ganhou fama por suas obras monumentais. Em particular, ampliou o segundo templo judaico de Jerusalém, ordenou a construção da cidade-porto de Cesareia e os palácios de Masada e Jericó.

As escavações do palácio-fortaleza de Herodes foram iniciadas por monges franciscanos no final da década de 1950. Os trabalhos continuaram a partir de 1972 por uma equipe de arqueólogos israelenses liderados pelo professor Ehud Netzer.

Em 2007, este acadêmico descobriu a tumba do rei, localizada sob as ruínas do palácio.

Foi também para não ofuscar o esplendor de sua tumba que o soberano mandou enterrar seu palácio, explica Eran Kruzel, funcionário da Autoridade Israelense de Natureza e Parques.

O sítio arqueológico revela a mentalidade do rei Herodes, que "se preocupava apenas com uma coisa: a maneira de preservar sua memória eternamente", destaca Porat.

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